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Produzir mais já não basta, o novo desafio do agro é proteger margem

Postado por Mayara Crivelari | Jornalista Grupo Portal ERP em 01/06/2026 em Destaque

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Em entrevista, Fernando da Silva, da Senior Sistemas, analisa como crédito mais seletivo, custos pressionados e decisões dentro e fora da porteira estão mudando a lógica de rentabilidade no agronegócio

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Fernando da Silva, diretor do segmento de agronegócio da Senior Sistemas em entrevista ao Portal Agro Summit. Créditos: divulgação/Grupo Portal ERP

Em um momento marcado por crédito mais seletivo, custos pressionados e novas exigências sobre competitividade, o agronegócio brasileiro começa a rever uma lógica que por décadas sustentou decisões no campo: produzir mais já não garante, necessariamente, melhores resultados. Preservar margens, ganhar eficiência e ampliar a capacidade de decisão passaram a ocupar espaço cada vez mais estratégico dentro das operações do agronegócio.

Esta reportagem integra uma série especial do Portal Agro Summit sobre os novos desafios da gestão no agronegócio. Em entrevista ao portal, Fernando da Silva, diretor do segmento de Agronegócio da Senior Sistemas, analisa como fatores como restrição de crédito, volatilidade de mercado, transformação digital, reforma tributária e novas exigências internacionais vêm mudando a lógica de decisão dentro e fora da porteira.

Mesmo mantendo altos níveis de produtividade, parte do agronegócio brasileiro começa a perceber que aumentar produção, sozinho, já não é suficiente para garantir rentabilidade. Em um cenário de custos pressionados, maior seletividade no crédito e incertezas no contexto internacional, cresce no setor a busca por eficiência operacional, não apenas para ampliar resultados, mas principalmente para proteger margens.

A pressão financeira ajuda a explicar esse movimento. No Relatório de Estabilidade Financeira divulgado em maio de 2026, o Banco Central apontou aumento dos riscos associados ao crédito rural, citando impactos climáticos, avanço da inadimplência em parte das operações e maior sensibilidade do setor às condições econômicas.

Ao mesmo tempo, o agronegócio segue movimentando volumes expressivos de financiamento. Dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor) mostram desembolsos bilionários ao longo da safra 2025/26, reforçando uma mudança de lógica no setor. Mais do que acessar capital, o desafio passa a ser utilizá-lo de forma mais eficiente e preservar rentabilidade.

É nesse contexto que, de acordo com Fernando, a gestão ganha protagonismo.

“O agro continua produzindo, as coisas continuam acontecendo, mas hoje eu preciso trabalhar melhor as minhas margens. O grande desafio é justamente conseguir otimizar produtividade sem perder rentabilidade”, afirma. 

Para o executivo, o momento atual impulsiona uma busca crescente por eficiência, mas em uma perspectiva mais ampla do que no passado, envolvendo não apenas a operação agrícola, mas também a qualidade das decisões ao longo de toda a cadeia.

“Não é só ser eficiente produzindo. Eu tenho que tomar decisões cada vez mais inteligentes e operar de maneira cada vez mais eficiente”, completa. 

Mais do que produtividade, o agronegócio passa a olhar com mais atenção para rentabilidade e isso exige uma mudança importante de mentalidade.

O risco de perder fora da porteira o que foi ganho no campo

Na avaliação de Fernando, uma das mudanças mais relevantes do agronegócio está na percepção de que eficiência operacional já não pode ficar restrita à lavoura. Produzir bem continua sendo essencial, mas, sozinho, esse fator já não garante rentabilidade.

“O grande desafio hoje é usar toda aquela produtividade construída dentro do campo e continuar negociando bons preços, fazendo uma boa compra, uma boa venda, sem perder essa produtividade com decisões erradas fora da porteira”, comenta. 

A avaliação do executivo ocorre em um contexto de maior pressão sobre margens, crédito mais seletivo e volatilidade de mercado, fatores que têm ampliado o peso das decisões de gestão sobre o resultado das operações agropecuárias.

Na prática, isso significa que ganhos conquistados no planejamento agrícola, no uso eficiente de insumos ou no aumento da produtividade podem ser comprometidos por decisões tomadas fora da porteira, em áreas como negociação de commodities, gestão de contratos, compras, recursos humanos e organização financeira do negócio.

É nesse ponto que, de acordo com Fernando, a tecnologia deixa de exercer apenas uma função operacional e passa a ter papel estratégico na gestão.

Dentro da porteira, o foco está em planejamento agrícola, eficiência operacional e uso mais racional dos recursos.

“Quando a gente olha para dentro da porteira, o objetivo é melhorar planejamento, melhorar operações agrícolas e ser mais eficiente no uso de recursos. Isso reduz custo, melhora margem e melhora o negócio.” Mas o executivo ressalta que os ganhos obtidos no campo precisam estar conectados à gestão do negócio como um todo.

“São esses dois pontos onde a gente consegue atuar: olhando para dentro da produção agrícola, mas também para essas decisões fora da porteira, para que eu realmente possa tomar decisões cada vez mais inteligentes.” 

Na visão de Fernando, a competitividade do agronegócio tende a depender cada vez menos apenas do volume produzido e mais da capacidade de transformar produtividade em resultado econômico.

Se a gestão ganha protagonismo na busca por rentabilidade, a transformação digital passa a ocupar papel central nessa mudança. Mas o agro brasileiro ainda avança em ritmos muito diferentes. Na próxima reportagem da série especial do Portal Agro Summit, com Fernando da Silva, diretor do segmento de Agronegócio da Senior Sistemas, os desafios da conectividade, da adoção tecnológica e da qualificação de pessoas no campo e porque a digitalização ainda acontece em velocidades diferentes no agronegócio brasileiro.

Postado por Mayara Crivelari | Jornalista Grupo Portal ERP em 01/06/2026 em Destaque