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O agro digital avança, mas em velocidades diferentes

Postado por Redação em 08/06/2026 em Destaque

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Conectividade desigual, realidades distintas no campo e soluções offline mostram por que a transformação digital do agro ainda avança em ritmos diferentes, avalia Fernando Silva da Senior Sistemas

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Fernando da Silva, Diretor do segmento de Agronegócio da Senior Sistemas. Créditos: divulgação

Esta reportagem faz parte da série especial do Portal Agro Summit sobre os novos desafios da gestão no agronegócio. Na primeira parte, Fernando da Silva, Diretor do segmento de Agronegócio da Senior Sistemas, contou por que produzir mais já não basta e como a pressão sobre margens está mudando a lógica de decisão no setor. Leia aqui.

Embora a digitalização tenha avançado nos últimos anos, o campo brasileiro ainda opera em estágios bastante distintos de maturidade tecnológica e a conectividade segue como um dos fatores que ajudam a explicar essa desigualdade. 

Segundo o Indicador de Conectividade Rural 2025, elaborado pela ConectarAgro, o Brasil avançou no acesso digital no campo, mas ainda convive com diferenças relevantes entre regiões, perfis produtivos e portes de propriedade. O levantamento aponta índice médio de conectividade rural de 7,07 em uma escala de 0 a 10, mas também identifica desafios persistentes relacionados à infraestrutura, cobertura e adoção tecnológica. 

Na prática, esse cenário ajuda a explicar por que a transformação digital do agro não ocorre no mesmo ritmo para todos. Fernando divide essa realidade em três grandes grupos. 

No topo estão grandes produtores e grupos agrícolas que já operam estruturas altamente conectadas, com monitoramento em tempo real das operações e acompanhamento remoto das fazendas a partir de centros de gestão. 

“Tem cliente controlando as operações de todas as fazendas a partir de um escritório, com visão inclusive das máquinas e de tudo o que está acontecendo.”  

Nesse perfil, a conectividade tende a representar um obstáculo menor, em função da maior capacidade de investimento em infraestrutura própria. “Eles têm capacidade de investimento próprio para gerar conectividade em campo e ter a fazenda inteira conectada”, afirma. 

Na outra ponta estão pequenos produtores, que ainda convivem com limitações estruturais de acesso à internet. Para Fernando, esse talvez seja um dos maiores desafios para empresas de tecnologia e fornecedores do setor, ampliar a disponibilidade de soluções mesmo em contextos de baixa conectividade. 

Segundo ele, a digitalização também avança nesse perfil de operação, ainda que em ritmos diferentes e com restrições próprias. 

“O desafio é pensar como a gente entrega cada vez mais disponibilidade de soluções considerando esse cenário, às vezes, de não conectividade.” 

Ainda assim, Fernando avalia que a tecnologia já faz parte da rotina desses produtores, especialmente por meio de celulares, computadores domésticos e equipamentos cada vez mais conectados. 

“O pequeno produtor talvez tenha dificuldade de conectividade, mas dificilmente não vai ter um celular ou algum dispositivo.” 

Entre esses extremos está o grupo dos médios produtores, que, segundo ele, representa boa parte do mercado. Nesse segmento, o desafio passa por equilibrar acesso à tecnologia, conectividade e capacidade de investimento. 

“Existe esse trade-off entre ter tecnologia, ter conectividade, conseguir ser mais eficiente e conseguir financiar tudo isso.” 

Na avaliação do executivo, é justamente nesse perfil de operação que surgem alguns dos principais desafios para adoção tecnológica no campo. Ao mesmo tempo em que cresce a demanda por ferramentas digitais e maior eficiência operacional, nem sempre a infraestrutura de conectividade acompanha esse movimento no mesmo ritmo. 

Os dados da ConectarAgro reforçam essa heterogeneidade. De acordo com o levantamento, propriedades maiores e regiões mais consolidadas do agronegócio tendem a apresentar níveis mais elevados de conectividade, enquanto áreas mais remotas ainda enfrentam limitações de infraestrutura e acesso. 

É justamente essa diferença de realidade que, na avaliação do executivo, mantém soluções offline relevantes dentro do agronegócio. 

“Você pode ter clientes do mesmo porte, com a mesma capacidade, mas com realidades completamente diferentes quando falamos de conectividade no campo.” 

Nesse contexto, soluções híbridas continuam desempenhando papel operacional importante. A lógica é permitir que informações sejam coletadas durante as operações agrícolas e sincronizadas posteriormente, quando houver acesso à internet. 

“Eu consigo fazer essa coleta de informações dentro do campo e, quando volto para uma base conectada, faço a carga desses dados.” 

Para Fernando, o desafio das empresas de tecnologia passa por compreender essas diferenças e adaptar soluções às distintas realidades operacionais do campo, equilibrando níveis de conectividade sem comprometer a qualidade da gestão. 

Mesmo em ambientes com menor acesso à internet, a meta é garantir que o produtor tenha acesso ao mesmo nível de informação quando os dados forem sincronizados. 

“Talvez alguém tenha um pouco mais de restrição a algumas coisas lá dentro do campo, mas, quando voltar para onde tem conectividade, vai ter o mesmo acesso e a mesma qualidade de informação”, conclui. 

Na próxima reportagem da série especial do Portal Agro Summit, Fernando da Silva analisa por que o maior desafio do agro talvez não esteja mais na tecnologia, mas na capacidade de preparar pessoas para usá-la.

Postado por Redação em 08/06/2026 em Destaque