Frigoríficos apostam em tecnologia para manter competitividade no mercado global
Postado por Redação em 09/03/2026 em NotíciasRastreabilidade, controle preciso do teor de gordura e padronização ganham protagonismo diante de mercados diversificados e mais exigentes
Foto: divulgação
O déficit global de produção de carne bovina, estimado em cerca de 1 milhão de toneladas em 2026, cria um ambiente especialmente favorável ao Brasil. Após registrar um recorde histórico nas exportações em 2025 e iniciar 2026 com volumes inéditos para o mês de janeiro, o país consolida sua posição como um dos principais fornecedores globais da proteína. O avanço ocorre mesmo em um cenário de maior seletividade dos importadores, que definem cotas, tarifas e exigências técnicas cada vez mais rigorosas. Ainda assim, o Brasil segue operando no topo da cadeia global, sustentado pela diversificação de mercados, ganho de escala, eficiência produtiva e pela rápida capacidade de adaptação às frequentes exigências internacionais.
Em janeiro de 2026, o país embarcou 264 mil toneladas, alta de 26,1% na comparação anual, com receita de US$ 1,404 bilhão, avanço de 40,2%. O resultado reflete não apenas o aumento dos volumes, mas também a valorização da carne brasileira em mercados que pagam mais por padronização, rastreabilidade e qualidade. Nesse contexto, a competitividade deixa de ser apenas uma questão de preço e passa a depender diretamente da capacidade dos frigoríficos de comprovar atributos técnicos do produto, como o teor de gordura, de forma rápida, precisa e confiável.
É justamente para responder a esse novo patamar de exigência que a Pensalab, empresa especializada em soluções analíticas para controle de qualidade, lançou no mercado brasileiro uma solução voltada ao processamento de carne baseada no uso do Micronir. O equipamento portátil utiliza tecnologia NIR (Near Infrared) para identificar e quantificar materiais sem a necessidade de amostras destrutivas, com destaque para a aplicação que mede com precisão o teor de gordura da carne.
Rafael Soares, da Pensalab, explica que, para calibrar o aparelho, os dados foram correlacionados com valores reais de gordura, como uma assinatura espectral. “Com o modelo calibrado, é possível realizar medições em tempo real, isso acelera a tomada de decisão e reduz gargalos no processo”, diz.
A ideia de aplicação veio a partir de uma visita a um cliente, que expôs os riscos do uso do chamado “gordurômetro”, um processo manual em que o colaborador marca em quais quadrantes da carne há gordura e, a partir daí, estima o percentual da amostra como um todo. Outra saída era o envio de uma parte da carne ao laboratório para análise, o que demorava horas e atrasava o processo produtivo. “Mesmo com a análise laboratorial, havia um impasse, pois a amostra era escolhida pelo colaborador, sem garantia de que realmente representasse a peça como um todo”, explica.
Diferentemente da avaliação visual tradicional, que é subjetiva, a tecnologia é portátil e oferece resultados imediatos e confiáveis, com calibração baseada em amostras conhecidas, garantindo consistência nas medições. Essa precisão é essencial para atender aos padrões de rastreabilidade e qualidade de mercados como os americanos e os chineses, dois dos mais exigentes do mundo.
Segundo Rafael Soares, a quantidade de gordura na carne impacta toda a cadeia produtiva, desde o abate até os cortes finais. “A gordura é um componente essencial em produtos processados, como hambúrgueres. Sua medição precisa é fundamental para atender às exigências de grandes redes de lanchonetes”, afirma.
Outro ponto crítico, resolvido pela solução, é a dificuldade de comunicação entre frigoríficos e clientes. A ausência de informações padronizadas e confiáveis sobre os produtos pode comprometer a credibilidade das empresas, gerar devoluções e causar perdas financeiras significativas. A tecnologia, nesse contexto, surge como aliada estratégica para garantir transparência e eficiência. A estimativa é de que, em grandes frigoríficos, entre 4% e 5% das remessas sejam rejeitadas, mas há aqueles que arriscam um pouco mais e podem chegar a um percentual de rejeição ainda maior.
“A carne rejeitada, na pior das hipóteses, é devolvida ou alvo de pedidos de desconto e renegociada, o que implica perda de margem e lucratividade para os frigoríficos”, explica.
Com foco em inovação, precisão e comunicação inteligente, a Pensalab reforça seu portfólio para elevar o padrão de qualidade também no mercado internacional. A empresa já estuda a expansão da tecnologia para outras cadeias produtivas, ampliando seu impacto na indústria alimentícia.







