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EY aponta os principais riscos e oportunidades do agro em 2026

Postado por Redação em 08/06/2026 em Mercado

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Estudo com recorte para o Brasil mostra baixa preparação do setor em digitalização, qualificação profissional e adaptação regulatória, além de alta preocupação com mudanças climáticas

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Créditos: divulgação

Em meio à crescente pressão por modernização, o agronegócio enfrenta gargalos em tecnologia, qualificação de mão de obra e adaptação regulatória. O diagnóstico é da pesquisa “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, da EY, com recorte exclusivo para o Brasil, que aponta mudanças climáticas, gestão de pessoas e geopolítica como as principais prioridades do setor, além de avaliar o nível de preparo das empresas diante desses cenários. 

A percepção de baixo preparo é especialmente evidente em tecnologia, transformação digital e inovação. Embora o tema apareça na quinta posição do ranking da EY, o setor reconhece dificuldades para acelerar a adoção de soluções digitais em um ambiente de crescente concorrência internacional. O cenário é marcado por mercados com elevado grau de intervenção estatal, incluindo subsídios, barreiras tarifárias e políticas de apoio ao produtor. Para a consultoria, o avanço tecnológico tende a se tornar fator cada vez mais determinante para ganhos de produtividade, competitividade e crescimento sustentável no campo. 

“O avanço tecnológico torna-se fator determinante para ganhos de produtividade e crescimento sustentável. Estudos já identificaram, há dois anos, agtechs do país atuando em segmentos como financeiro, genética, saúde animal, e marketplace de insumos. Isso evidencia a intensidade da transformação digital no agro e a pressão para que empresas incorporem essas soluções de forma efetiva”, comenta Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY. 

Mas a modernização no campo expõe outro gargalo estrutural do agronegócio, a qualificação da mão de obra. A gestão de pessoas aparece como a segunda principal preocupação do setor em 2026, refletindo a dificuldade das empresas em formar, atrair e reter talentos em meio à digitalização acelerada, ao crescimento do agro e à profissionalização das operações. 

O agro é um dos segmentos que mais empregam no país e, somente em 2024, somava 28,2 milhões de trabalhadores. Ao mesmo tempo, a mão de obra passou a representar entre 20% e 40% do custo total da produção agrícola, ampliando a necessidade de produtividade e qualificação profissional. 

“Em contrapartida, a capacidade de qualificação não acompanhou o ritmo da inovação tecnológica, criando um déficit de profissionais no país para operar drones, sensores, sistemas digitais, automação e agricultura de precisão. Ao mesmo tempo, grande parte dos trabalhadores do campo possui baixa escolaridade, o que limita o acesso às novas profissões e restringe o potencial de evolução técnica do setor”, avalia Otavio Lopes. 

Além dos desafios relacionados à tecnologia e à mão de obra, o setor também enfrenta pressão crescente para se adaptar a mudanças regulatórias. Políticas públicas, reformas e regulações governamentais aparecem em quarto lugar entre os temas de maior impacto potencial para o agro, ao mesmo tempo em que as empresas reconhecem baixo nível de preparação. 

Regras tributárias, ambientais, de crédito e de incentivo moldam diretamente a rentabilidade, a competitividade e a viabilidade das operações no campo. Com isso, a reforma tributária surge como um novo fator de atenção para o setor, diante dos possíveis impactos sobre custos, margens e reorganização das cadeias produtivas. 

“O avanço da reforma tributária adiciona um novo elemento de atenção para o agro, exigindo das empresas maior capacidade de adaptação às mudanças na apuração de tributos e na reorganização das cadeias produtivas. Em um setor altamente integrado e com operações de grande escala, mudanças regulatórias podem impactar custos, margens e decisões de investimento”, afirma Otavio Lopes.  

A necessidade de adaptação do setor também é impulsionada por um fator que lidera o ranking de preocupações do agro em 2026, as mudanças climáticas. Segundo a EY, 79% dos respondentes classificam seus impactos como altos ou muito altos, refletindo a dificuldade do setor em antecipar eventos extremos, como secas, enchentes e geadas. 

Além dos impactos diretos sobre a produção, o avanço da instabilidade climática amplia pressões sobre crédito, seguro rural, acesso a mercados, cadeias de alimentos e biocombustíveis, volatilidade de preços, quebras de safra, exigências ambientais e possíveis disrupções logísticas. 

Na avaliação do sócio-líder de agronegócio da EY, esses desafios ocorrem em um ambiente de crescente volatilidade, o que amplia a necessidade de adaptação das empresas do agro. 

“Vivemos um ambiente de policrise, marcado por incertezas, volatilidade e mudanças climáticas constantes, o que naturalmente impacta a confiança das empresas e reduz a disposição do mercado em responder e projetar cenários. Ao mesmo tempo, esse contexto também abre espaço para oportunidades e para a adaptação do setor. Isso passa, inclusive, pela modernização operacional e pela capacidade de as companhias compreenderem seu perfil de risco em um cenário cada vez mais complexo”, diz Otavio Lopes. 

Além dos temas ligados à modernização, o estudo da EY aponta geopolítica e comércio internacional como o terceiro principal fator de preocupação do setor. Disputas comerciais, choques de insumos, guerras, pandemias e mudanças regulatórias ampliam a exposição do agronegócio às oscilações do mercado global e podem alterar custos, margens e rotas de exportação. Para a consultoria, episódios recentes evidenciam como tensões internacionais impactam diretamente logística, combustíveis, fertilizantes e seguros. 

Em sexto lugar, aparecem gestão de riscos financeiros e do mercado de commodities, considerados fatores centrais diante da volatilidade cambial e das oscilações globais de preços. Já produtividade, controle de custos e eficiência operacional surgem na sétima posição e seguem como pilares da competitividade do agro brasileiro em um ambiente de margens pressionadas. 

O levantamento também chama atenção para gargalos históricos de logística e armazenagem na oitava posição. Segundo estimativas da CNA com base em dados da Conab, o Brasil deve ter capacidade para armazenar apenas 61,7% da safra de grãos prevista para 2026, o menor patamar em cerca de duas décadas, com déficit estimado de 135,4 milhões de toneladas. 

Entre os últimos temas do ranking aparecem ética, compliance e controles internos, impulsionados pelo avanço das exigências ESG e pelo maior escrutínio sobre cadeias produtivas. O levantamento também destaca desafios relacionados à estratégia de crescimento e acesso a capital, em um ambiente de crédito mais seletivo, com maior rigor na avaliação de riscos. 

Postado por Redação em 08/06/2026 em Mercado