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Startups climáticas ganham força na América Latina e atraem investidores para agro

Postado por Redação em 26/01/2026 em Notícias

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Especialistas apontam que o cenário regional é promissor, graças a ativos como biodiversidade e a relevância no sistema alimentar global 

Startups climáticas ganham força na América Latina e atraem investidores para agro

Humberto Matsuda, membro do Comitê de Investimentos da Kamay Ventures

A corrida global por soluções contra a crise climática está abrindo espaço para uma nova geração de startups na América Latina. O setor, que já movimenta bilhões em investimentos no mundo, começa a ganhar protagonismo regional em áreas estratégicas como agro, alimentos e economia circular. Segundo levantamento divulgado durante a preparação para a COP30, o mercado global de startups climáticas deve atrair cerca de US$ 80 bilhões até 2029, mas apenas 4% desse capital chega à América Latina e à África. Ainda assim, especialistas apontam que o cenário regional é especialmente promissor, graças a ativos como biodiversidade, relevância no sistema alimentar global e capacidade de escalar soluções em parceria com grandes empresas.

Esse contexto tem direcionado o interesse de investidores para áreas onde a região apresenta vantagens competitivas claras. Para Humberto Matsuda, membro do Comitê de Investimentos da Kamay Ventures, o momento favorece startups que conseguem unir impacto ambiental mensurável, eficiência operacional e modelos de negócio escaláveis. “A América Latina tem uma combinação única de desafios estruturais e ativos naturais. Isso cria oportunidades enormes para startups que atuam em agro, alimentos, economia circular e soluções baseadas na natureza, especialmente quando conectadas a grandes empresas e cadeias globais”, afirma.

Dentro desse movimento, Agtechs e Foodtechs despontam como alguns dos segmentos mais dinâmicos. Essas startups vêm redesenhando a forma como os alimentos são produzidos, desenvolvidos e consumidos, impulsionadas tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas novas expectativas dos consumidores. Dados do Rural Tech Report 2025 mostram que o Brasil recebeu R$ 627,2 milhões em investimentos em agtechs e foodtechs apenas no primeiro semestre de 2025, com destaque para o aporte de R$ 280 milhões na Mombak, startup focada em reflorestamento. Na mesma direção, o Radar Agtech Brasil registrou um crescimento de 224% no número de incubadoras e de 90% nas aceleradoras voltadas ao agro entre 2023 e 2024.

Esses números refletem uma aceleração na adoção de tecnologias voltadas à regeneração de solos, biotecnologia, redução de insumos químicos e desenvolvimento de alimentos mais saudáveis e resilientes. Mais do que mitigar impactos ambientais, essas soluções buscam aumentar produtividade, eficiência e competitividade ao longo de toda a cadeia de valor.

Em paralelo, a economia circular avança como uma nova lógica de negócios na região. Iniciativas como o Plano Nacional de Economia Circular 2025–2034, lançado pelo governo brasileiro, estabelecem metas para transformar resíduos em ativos, estimular o uso de materiais de base biológica e promover embalagens regenerativas. Esse ambiente regulatório e de mercado tem aproximado startups de cadeias produtivas inteiras, abrindo espaço para modelos que nascem alinhados à escassez de recursos, às novas regulações ambientais e às demandas de consumidores e empresas.

Para Humberto Matsuda, esse cenário sinaliza uma mudança estrutural na forma de investir. “Impacto ambiental deixou de ser um bônus e passou a ser parte central da lógica de negócios. As maiores oportunidades estão em startups que resolvem problemas climáticos estruturais da região e, ao mesmo tempo, entregam eficiência, escala e retorno”, conclui.

 

Postado por Redação em 26/01/2026 em Notícias