Reforma Tributária já exige revisão de processos no agro
Postado por Mayara Crivelari | Jornalista Grupo Portal ERP em 29/06/2026 em DestaqueEspecialista afirma que produtores e empresas precisam entender os impactos da Reforma Tributária desde agora e defende uma preparação baseada em revisão de processos, dados e planejamento

Fernando da Silva, Diretor de Agronegócio da Senior Sistemas, em entrevista ao Portal Agro Summit. Créditos: Grupo Portal ERP
Esta é a terceira reportagem da série especial "O novo agro da gestão", que analisa os novos desafios da gestão no agronegócio. Nas reportagens anteriores com o Diretor do segmento de Agronegócio da Senior Sistemas, Fernando da Silva, mostramos como a busca por eficiência passou a ser decisiva para proteger margens e por que a transformação digital do campo ainda avança em ritmos diferentes. Agora, o foco recai sobre outro tema que já entrou na agenda do setor: a Reforma Tributária.
Além da busca por eficiência operacional, outra preocupação crescente dentro do agronegócio está ligada aos impactos da Reforma Tributária. Na avaliação de Fernando, produtores e empresas do setor já deveriam estar se preparando para as mudanças.
“Eu diria que não é nem começar. O setor já deveria estar preparado.”
A preocupação também aparece entre entidades do setor. Em cartilha publicada em maio de 2026, o Sistema CNA/Senar orienta produtores rurais a acompanhar os desdobramentos da Reforma Tributária, projetar cenários para avaliar os efeitos do novo modelo sobre a operação e modernizar processos administrativos para atender às novas exigências fiscais. O material destaca que informação e planejamento serão fatores relevantes durante o período de transição.
O executivo comenta que o primeiro passo é compreender os impactos específicos dentro de cada operação. “O agronegócio sempre teve incentivos, regimes especiais e mecanismos próprios. Dentro dessa reforma existem impactos sobre esses modelos.”
Em sua avaliação, a adaptação não deve acontecer de forma abrupta, mas como uma jornada gradual de adequação, à medida que a complexidade regulatória aumenta e novos processos passam a ser exigidos.
“A complexidade começa a aumentar aos poucos. O primeiro passo é parar para entender o que é a Reforma Tributária e quais são os impactos dentro do negócio.”
Ele avalia que a transição exigirá revisão de processos, reavaliação de investimentos e mudanças operacionais. “Algumas coisas podem deixar de fazer sentido e outras passarem a fazer mais sentido. Talvez eu tenha que investir mais em algumas áreas.”
Mais do que adequar sistemas para cálculo de tributos, Fernando defende uma preparação mais estrutural das empresas de tecnologia e sistemas de gestão, baseada em análise de impactos, planejamento e capacidade de simular cenários.
“Não é simplesmente entregar um software adequado aos novos impostos. É ajudar o cliente a entender impactos, fazer simulações e se preparar para essa jornada.”
Na prática, a avaliação é que a Reforma Tributária tende a exigir do agronegócio um nível maior de organização de dados, revisão de processos e capacidade de adaptação, especialmente em um setor historicamente marcado por regimes especiais e particularidades fiscais.







