Reforma Tributária expõe gargalos de dados e amplia complexidade fiscal no agronegócio, aponta Ninecon
Postado por Mayara Crivelari | Jornalista Grupo Portal ERP em 30/06/2026 em NotíciasLevantamento com mais de 40 projetos indica que qualidade dos dados, integração de sistemas e regimes fiscais complexos são os principais desafios na adaptação ao CBS e IBS no Brasil

Lucas Andrade, Diretor de Agronegócio da Ninecon. Créditos: divulgação/Ninecon
A implementação da Reforma Tributária no Brasil tem revelado que os desafios das empresas vão além da atualização de sistemas ERP. No agronegócio, a transição para os novos tributos CBS e IBS também expõe problemas relacionados à qualidade dos dados, à integração entre sistemas e à complexidade dos regimes fiscais do setor.
Segundo levantamento da Ninecon, consultoria especializada em Business Technology e transformação digital, baseado em mais de 40 projetos de adequação realizados em diferentes segmentos da economia, os principais gargalos estão na consistência das informações corporativas e na necessidade de revisão de processos internos.
No recorte do agronegócio, o levantamento aponta que apenas dois dos projetos analisados foram realizados em empresas do setor, indicando um cenário com particularidades operacionais e fiscais.
Complexidade fiscal no agronegócio
De acordo com Lucas Ferreira, diretor de Agronegócios da Ninecon, o agronegócio apresenta características que tornam a adaptação à Reforma Tributária mais desafiadora do que em outros setores.
“Cadastros incompletos ou inconsistentes, a aplicabilidade de múltiplas regras fiscais e a amplitude geográfica de atuação das empresas são fatores que aumentam significativamente a complexidade tributária no agro”, afirma.
O executivo aponta que o setor lida com uma grande quantidade de exceções fiscais e regimes tributários específicos, que variam conforme a natureza dos produtos, o segmento e a região de atuação.
Diferenças entre modelos de operação no agro
O levantamento também aponta que a complexidade varia conforme o tipo de operação dentro do agronegócio. Produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e revendas operam sob regimes fiscais distintos, muitas vezes simultâneos, o que amplia a necessidade de integração entre sistemas fiscais, financeiros e operacionais.
As cooperativas podem atuar em diferentes frentes, como produção, originação e varejo, o que exige parametrizações fiscais mais complexas. Já produtores rurais ainda operam, em alguns casos, com dependência de processos manuais e de terceiros para cumprimento de obrigações fiscais.
O estudo também destaca a relevância da cadeia logística e da dependência de insumos como derivados de petróleo, que adicionam complexidade à apuração tributária.
"A complexa malha logística e a dependência dos derivados de petróleo ainda trazem mais complexidade a toda essa matriz tributária, tornando os sistemas integrados uma missão crítica para a eficiência tributária das operações", explica.
Integração de sistemas como ponto crítico
A experiência dos projetos indica que a adequação à Reforma Tributária não se limita ao ERP. Segundo a Ninecon, as informações fiscais precisam circular entre sistemas financeiros, comerciais, logísticos e aplicações legadas.
Quando essas integrações não são revisadas de forma adequada, podem surgir inconsistências ao longo da operação, exigindo correções durante a implementação e aumentando o risco de falhas em produção.
Mudanças frequentes em notas técnicas e regras regulatórias também têm levado empresas a revisarem escopos já definidos, ampliando a complexidade dos projetos.
Maturidade digital no agronegócio
Para o Diretor de Agronegócio da Ninecon, o setor apresenta diferentes níveis de maturidade em governança de dados e integração de sistemas. Enquanto algumas empresas possuem estruturas mais maduras, outras ainda dependem de processos manuais e de terceiros para execução de obrigações fiscais.
“Há empresas muito maduras em governança de processos e sistemas, mas muitos produtores rurais ainda não atingiram essa maturidade, muitas vezes dependendo 100% de terceiros e de processos manuais para a entrega de suas obrigações”, afirma Lucas Ferreira.
Na avaliação da consultoria, a Reforma Tributária deve acelerar investimentos em governança de dados, integração de sistemas e automação de processos no agronegócio.
A expectativa é de que as empresas passem a tratar a qualidade da informação como elemento central da estratégia fiscal, com foco na redução de riscos operacionais e maior capacidade de adaptação às novas exigências.







