O novo alvo digital: por que a cibersegurança virou prioridade no agronegócio
Postado por Redação Agro Summit em 09/10/2026 em NotíciasEntrevistas realizadas durante o Agro Summit 2026 revelam como a hiperconectividade, o uso de dados em nuvem e a expansão de IA no campo expõem o setor produtivo a grupos cibercriminosos

A rápida transformação digital da agropecuária brasileira trouxe ganhos expressivos de produtividade, mas também abriu portas para um risco antes pouco debatido no setor: a exposição a ataques cibernéticos. À medida que as propriedades e empresas agrícolas adotam ativos digitais integrados, máquinas conectadas e dados armazenados em nuvem, o campo passa a figurar no radar de ameaças globais. Durante o Agro Summit 2026, em entrevistas concedidas nos bastidores do evento, especialistas alertaram para o fato de que a hiperconectividade exige uma postura preventiva em relação à governança e à proteção da informação.
A urgência do tema decorre da mudança no perfil das operações agrícolas, que hoje dependem diretamente de softwares de gestão, sensores e plataformas de análise de dados para manter a rotina no campo. Esse cenário de alta dependência tecnológica atrai a atenção de grupos mal-intencionados que buscam interromper operações ou extorquir empresas do setor.
Um setor na mira do cibercrime e os dados do risco
A dimensão dessa ameaça já é mensurável. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou 39.034 ataques cibernéticos uma média de 3,2 mil tentativas de invasão por mês, segundo levantamento da ISH Tecnologia. O número coloca o segmento como o terceiro mais visado por cibercriminosos no país, atrás apenas da indústria e do governo. Além disso, 10% de todos os ataques de ransomware registrados no Brasil no período tiveram empresas do agro como alvo.
No centro dessa vulnerabilidade estão as cooperativas agropecuárias, que movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro. Por concentrarem dados cadastrais, financeiros e fiscais de milhares de produtores rurais associados, essas entidades se tornaram alvos estratégicos para sequestro de dados e invasões, agravadas pelo fato de que muitas estruturas ainda utilizam sistemas de gestão sem ferramentas nativas de auditoria e rastreamento de acessos.
Analisando esse novo contexto de risco no agronegócio, Abian Laginestra, CEO da Kimoshiro Cybersecurity, contextualizou a vulnerabilidade atual do setor durante o Agro Summit 2026:
"O agro se especializou muito, se digitalizou, e agora vem uma nova era, que é a proteção cibernética dos seus ativos. No agro, isso é novidade. Então, o agro hoje é muito atrativo para grupos hacktivistas e grupos de cybercriminosos que querem monetizar."
O alerta reforça que a segurança de dados deixou de ser uma preocupação restrita aos escritórios corporativos ou ao setor financeiro. A paralisação de sistemas em uma propriedade rural ou em uma cooperativa pode comprometer safras inteiras, cadeias de suprimentos e negociações comerciais bilionárias.
O impacto regulatório e a fiscalização da ANPD
O gargalo tecnológico ganha contornos ainda mais críticos com o endurecimento da fiscalização promovido pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A agência abriu 19 novos processos administrativos sancionadores em uma única leva e incluiu os dados financeiros e de crédito do setor cooperativo entre suas prioridades de monitoramento para o ciclo 2026-2027.
As infrações — sujeitas a penalidades que variam de advertências a multas de até 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração — envolvem a ausência de base legal para o tratamento de dados, segurança da informação deficiente, vazamentos e falta de transparência com os titulares. Para estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a gestão das empresas e cooperativas precisa manter registros detalhados das operações, elaborar Relatórios de Impacto à Proteção de Dados Pessoais (RIPD) e estruturar governança com a indicação de um encarregado (DPO).
Governança e proteção como pilares de crescimento
Para sustentar o ritmo de modernização sem comprometer a continuidade dos negócios, a escolha de parceiros tecnológicos e a implementação de políticas rigorosas de governança tornaram-se indispensáveis. A busca por inovação precisa caminhar lado a lado com a blindagem das operações contra acessos não autorizados e vazamentos de dados.
Refletindo sobre a necessidade de equilibrar agilidade operacional e resguardo institucional no campo, Patrícia Natel de Almeida, Gerente de Operações na Agrotis, destacou a importância dessa integração:
"O agro está cada vez mais rápido, mais profissionalizado. Então, a capacitação, a governança das empresas não pode mais ser ignorada. Tem que vir atrás de parceiros tecnológicos focando na inovação, inteligência artificial e, principalmente, tudo isso com governança, com paz e segurança. Tem que ser rápido e seguro."
O futuro da gestão e da inovação no Agro Summit 2027
Diante das transformações aceleradas do mercado e da relevância estratégica do setor para a economia nacional, os caminhos para uma produção cada vez mais eficiente, sustentável e bem gerida ganharão papel de destaque na programação do Agro Summit 2027.
O encontro, marcado para o dia 25 de maio de 2027, no espaço de eventos Expo D. Pedro, em Campinas (SP), reunirá produtores, executivos, cooperativas e fornecedores de tecnologia para debater as principais tendências, soluções práticas e desafios do campo. O objetivo da próxima edição será oferecer diretrizes para que marcas e líderes do setor consigam estruturar estratégias sólidas, adotar inovações com segurança e garantir a continuidade e o crescimento dos negócios em toda a cadeia produtiva.







