Integração de ERP e IA geoespacial mira rastreabilidade de fornecedores indiretos no agronegócio
Postado por Redação Agro Summit em 28/09/2026 em NotíciasArquitetura que conecta dados de gestão agrícola "dentro da porteira" a agentes de inteligência artificial busca automatizar o compliance regulatório para exportação de commodities

A pressão de regulamentações internacionais sobre o agronegócio brasileiro como o Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), expôs um gargalo operacional na cadeia de suprimentos: a dificuldade de garantir a rastreabilidade e a conformidade socioambiental dos fornecedores indiretos. Embora grandes empresas e propriedades rurais mantenham sistemas estruturados de gestão interna, a validação de dados fora dos limites operacionais da empresa ainda representa um desafio logístico e regulatório.
Para tentar resolver a falta de visibilidade entre o campo e o porto, parcerias do ecossistema de tecnologia começam a integrar softwares tradicionais de gestão agrícola (ERP) a plataformas de inteligência artificial e dados geoespaciais. O objetivo é transformar dados da produção diária em evidências auditáveis de conformidade para o comércio exterior.
A abordagem consiste em utilizar o ERP e sistemas de originação como fonte centralizada de dados operacionais (abrangendo gestão financeira, estoques e contratos), enquanto agentes de IA e análise geoespacial cruzam essas informações com dados territoriais, regulamentações vigentes e registros de fornecedores em diferentes níveis. A automação abrange desde a verificação de requisitos ambientais até a geração de documentação necessária para o desembaraço de cargas em exportações de commodities como grãos, açúcar, etanol, biocombustíveis, café, papel e celulose.
Dentro dessa estratégia de integração entre o "dentro" e o "fora" da porteira, a consultoria delaware e a empresa de inteligência preditiva Marvin firmaram uma aliança para conectar o gerenciamento operacional de clientes à validação de compliance internacional.
“Para nós, agregar mais um parceiro ao nosso ecossistema consolida nossa presença em um mercado onde temos feito fortes investimentos, conquistado diversos clientes e estruturado importantes casos de sucesso. A aliança materializa nossa abordagem de entrega ponta a ponta, aliando a especialidade de ambas as empresas para atender o negócio dos clientes”, afirma Javier Rivas, Head de Portfólio da delaware.
Do ponto de vista da gestão de risco e cadeia de suprimentos, a automação das checagens geoespaciais visa substituir auditorias manuais e diminuir o risco de rejeição de cargas nos portos de destino.
“A parceria com a delaware conecta a gestão da operação à inteligência sobre toda a cadeia de suprimentos. Ao integrar dados operacionais, geoespaciais e regulatórios, podemos ajudar as empresas a ganhar visibilidade, reduzir riscos e tomar decisões mais inteligentes para acessar mercados globais”, destaca Eliel Schimidt, Diretor da Marvin.
Com a entrada em vigor de regras ambientais mais rigorosas no comércio internacional, a tendência é que a integração entre banco de dados operacionais e inteligência artificial deixe de ser um diferencial de gestão e passe a atuar como infraestrutura básica para a manutenção de mercados exportadores.







