Com 39 mil ciberataques em 2025 e R$ 487 bi em jogo, cooperativas do agronegócio correm contra o tempo; entenda
Postado por Redação Agro Summit em 29/09/2026 em NotíciasAumento nos ataques cibernéticos e fiscalização rígida da ANPD pressionam cooperativas a revisar a segurança de dados de milhares de produtores associados

A digitalização acelerada das operações no campo impulsionada pelo uso de sensores inteligentes, drones, sistemas de irrigação conectados, plataformas de rastreabilidade e ERPs integrados ampliou a eficiência operacional do agronegócio brasileiro, mas também expôs o setor a novos riscos operacionais e regulatórios.
Em 2025, o agronegócio registrou 39.034 ataques cibernéticos, com uma média de 3,2 mil tentativas de invasão por mês, segundo levantamento da ISH Tecnologia. O número coloca o segmento como o terceiro mais visado por cibercriminosos no país, atrás apenas da indústria e do governo. Além disso, 10% dos ataques de ransomware registrados no Brasil no período tiveram empresas do agro como alvo.
No centro dessa vulnerabilidade estão as cooperativas agropecuárias, que movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro. Por concentrarem dados cadastrais, financeiros e fiscais de milhares de produtores rurais associados, essas entidades se tornaram alvos estratégicos para sequestro de dados e invasões. Na prática, muitas estruturas ainda utilizam sistemas de gestão que não oferecem ferramentas nativas de auditoria e rastreamento de acessos.
O impacto regulatório na gestão cooperativa
O gargalo tecnológico ganha contornos mais críticos com o endurecimento da fiscalização promovido pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A agência abriu 19 novos processos administrativos sancionadores em uma única leva e incluiu os dados financeiros e de crédito do setor cooperativo entre suas prioridades de monitoramento para o ciclo 2026-2027.
As infrações sujeitas a penalidades que variam de advertências a multas de até 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração envolvem a ausência de base legal para o tratamento de dados, segurança da informação deficiente, vazamentos e falta de transparência com os titulares.
Para estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a gestão das cooperativas precisa manter registros detalhados das operações de tratamento de informações, elaborar Relatórios de Impacto à Proteção de Dados Pessoais (RIPD) e estruturar governança com a indicação de um encarregado (DPO).
"A cooperativa acumula dados que vão do CPF do cooperado até o histórico de produção, crédito e tributação. Quando esse volume circula por sistemas sem controle de acesso auditável, qualquer incidente pode se transformar em um problema regulatório antes mesmo de se transformar em prejuízo financeiro", aponta Luis Carlos Crema, presidente da Solterra Soluções Inteligentes.
A adequação exige revisar não apenas os processos internos de compliance, mas também a arquitetura dos softwares de gestão utilizados. "Os dados do produtor rural não ficam só na fazenda. Eles circulam pela cooperativa, pelo sistema fiscal, pelo módulo de crédito. Sem controle sobre quem acessa o quê e quando, não há como demonstrar de forma adequada como esses dados estão sendo tratados", alerta Crema.
À medida que a conectividade se consolida como pilar da produtividade, a cibersegurança e o rastreamento auditável de dados deixam de ser uma pauta exclusiva do departamento de TI para se tornarem item prioritário na estratégia de gestão e continuidade dos negócios no agronegócio.







