Cibersegurança no agro: 86% das PMEs sofreram incidentes no último ano; entenda os riscos para o setor
Postado por Redação Agro Summit em 24/09/2026 em NotíciasAvanço da digitalização em fazendas, cooperativas e agroindústrias amplia a exposição a ciberataques, tornando a gestão da informação e o treinamento de equipes fatores críticos para evitar paralisações nas operações

À medida que a digitalização avança sobre as diferentes etapas da cadeia do agronegócio de propriedades rurais familiares e revendas de insumos a cooperativas e agroindústrias de médio porte, a superfície de exposição a ciberataques cresce na mesma proporção. Uma pesquisa global divulgada pela Kaspersky revela que 86% das pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentaram pelo menos um incidente de cibersegurança no último ano.
O estudo, realizado com profissionais de TI em 18 países, indica que cibercriminosos passaram a adotar contra organizações de menor porte os mesmos métodos avançados direcionados a grandes corporações. No Brasil, apenas 14% das empresas com até 500 funcionários conseguiram operar sem registrar nenhum tipo de brecha ou invasão no período.
Segundo o levantamento, os incidentes mais frequentes registrados em PMEs no mercado brasileiro foram os ataques de phishing (28%), a exploração de vulnerabilidades em softwares (18%) e o acesso remoto externo não autorizado (15%). Exploits de dia zero e ameaças relacionadas ao uso de inteligência artificial também registraram ocorrências no país.
Gargalos na gestão e o fator humano
Para o ecossistema do agronegócio, em que a paralisação de sistemas durante o período de safra ou comercialização pode gerar prejuízos em cadeia, os fatores de risco apontados pela pesquisa acendem um alerta sobre a gestão da informação.
No recorte da América Latina, os dois principais fatores que aumentam as chances de sucesso de um ciberataque estão ligados a pessoas: a falta de experiência entre os profissionais de TI (25%) e o desconhecimento sobre práticas básicas de segurança por parte dos colaboradores de outras áreas (20%).
Completam a lista de vulnerabilidades a ausência de políticas claras de segurança da informação (18%), a utilização de softwares e equipamentos desatualizados (23%) e a alta carga de trabalho sobre as equipes técnicas (23%).
Com a expansão do uso de plataformas de gestão agrícola, sistemas de rastreabilidade na nuvem e automação conectada via IoT, o tempo de inatividade passa a ser a principal métrica de prejuízo.
“Para uma PME, o impacto de um ataque não é medido apenas pelo número de sistemas afetados, mas pelo tempo que a empresa leva para voltar a funcionar. Como os recursos são limitados, a estratégia de segurança precisa começar pelo que sustenta o negócio: quais processos não podem parar, quais informações precisam de maior proteção e quais ameaças podem causar mais danos. A partir dessa priorização, é possível combinar tecnologia, processos e capacitação para responder de forma mais eficiente. O objetivo não é tentar eliminar todos os riscos, mas evitar que um incidente de segurança comprometa a capacidade da empresa de atender clientes, gerar receita e manter suas operações”, afirma Angela Kanbour, diretora de vendas PMEs da Kaspersky Brasil.
Investimentos e boas práticas de proteção
Diante do aumento das ameaças, 82% das PMEs consultadas afirmaram ter ampliado o orçamento voltado à proteção digital. Dentre as que aumentaram o aporte financeiro, 41% direcionaram os recursos à expansão das equipes e 30% investiram na adoção de tecnologias de monitoramento e resposta a incidentes.
Para reduzir a vulnerabilidade operacional, especialistas recomendam que as empresas combinem ferramentas de tecnologia com processos rigorosos de governança. A prioridade deve ser a gestão e o controle de acessos, com a definição clara de permissões nos sistemas e serviços em nuvem, revogação imediata de credenciais de ex-colaboradores, automação das rotinas de backup e atualização contínua de softwares e equipamentos.
Paralelamente, a capacitação das equipes surge como um pilar indispensável de proteção. Treinamentos práticos e periódicos auxiliam os funcionários a identificar tentativas de fraudes virtuais via e-mail corporativo (phishing), técnicas de engenharia social e solicitações de pagamentos suspeitos, blindando a principal porta de entrada utilizada por cibercriminosos contra o roubo de dados e perdas financeiras.







