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Unicamp desenvolve calculadora para estimar créditos de carbono de resíduos agroindustriais

Postado por Redação em 05/06/2026 em Notícias

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Ferramenta permite calcular pegada de carbono evitada a partir do tratamento de biomassa residual da indústria de alimentos

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Créditos: divulgação/Inova Unicamp

Cascas de laranja, bagaço de maçã, pó de café, palha de cana-de-açúcar e sementes de açaí. Transformar os resíduos diários da indústria alimentícia em energia renovável é uma forma de converter o passivo ambiental em uma fonte de receita e promover a descarbonização. Para tornar esse potencial visível e acessível a qualquer pessoa, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram a Calculadora Biomassa_Compensa, um programa de computador que quantifica tanto a pegada de carbono evitada quanto os créditos de carbono potencialmente gerados a partir do tratamento de resíduos orgânicos agroindustriais.

Com cálculos baseados em dados científicos, o software pode ser utilizado por empresas, engenheiros, pesquisadores e outros interessados para avaliar impactos ambientais, estimar créditos de carbono e apoiar a elaboração de relatórios de sustentabilidade, sem exigir conhecimento técnico especializado. A ferramenta também pode contribuir para tornar mais ágeis análises relacionadas ao tratamento de resíduos e às estratégias de descarbonização.

O usuário seleciona o tipo de resíduo, informa a quantidade em toneladas e recebe instantaneamente estimativas de emissões evitadas em CO? equivalente, além do potencial de geração de créditos de carbono. Atualmente, o sistema contempla materiais como bagaço de maçã, casca de laranja, cana-de-açúcar, sementes de açaí e subprodutos da indústria do café. A plataforma também traduz os resultados em métricas mais tangíveis, como quantidade de árvores equivalentes, horas de voo compensadas ou número de veículos retirados das ruas.

Segundo os pesquisadores, o diferencial da solução está no foco específico sobre resíduos da agroindústria alimentícia, um segmento ainda pouco contemplado por ferramentas voltadas ao mercado de carbono, geralmente mais direcionadas a resíduos animais, biocombustíveis ou commodities agrícolas.

Além de mensurar impactos ambientais, a calculadora busca apoiar decisões operacionais e de investimento. Para agroindústrias, cooperativas, restaurantes ou produtores rurais, a tecnologia pode ajudar a identificar se o volume de biomassa gerado justifica investimentos em infraestrutura, como biodigestores, além de indicar o potencial de produção de energia elétrica, térmica ou biometano.

A solução foi desenvolvida a partir de estudos conduzidos no Laboratório de Bioengenharia, Tratamento de Águas e Resíduos (BIOTAR), da Unicamp, que ao longo dos anos acumulou pesquisas sobre o potencial energético de resíduos orgânicos. O projeto transformou dados antes dispersos em teses e dissertações em uma ferramenta acessível ao mercado.

“A calculadora surgiu para centralizar dados dispersos em pesquisas acadêmicas e oferecer uma resposta rápida, precisa e baseada em evidências científicas para quem deseja avaliar o potencial energético e ambiental de sua biomassa”, explica a professora Tânia Forster Carneiro, coordenadora do projeto e professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp.

O princípio por trás da ferramenta está na mitigação do metano — gás gerado pela decomposição anaeróbia de resíduos orgânicos e considerado significativamente mais nocivo ao aquecimento global do que o dióxido de carbono. Ao tratar os resíduos e converter esse gás em energia, empresas podem evitar emissões e gerar créditos de carbono considerados permanentes.

Na avaliação dos pesquisadores, o avanço da regulação ambiental e possíveis restrições ao descarte de resíduos orgânicos em aterros devem acelerar investimentos em tecnologias de reaproveitamento de biomassa nos próximos anos.

“A indústria de alimentos gera um volume massivo de biomassa. Com a tendência de restrição do envio desses resíduos para aterros, tecnologias como compostagem e digestão anaeróbia devem ganhar escala, ampliando também o potencial do mercado de carbono”, afirma Forster.

Além do acesso público às calculadoras Biomassa_Compensa e Biomassa2Biogás, a equipe também prevê possibilidades de customização da tecnologia para empresas interessadas em adaptar a plataforma a resíduos específicos ou integrá-la a sistemas próprios de gestão ambiental.

 

Postado por Redação em 05/06/2026 em Notícias