TRAG capta R$ 2,5 milhões e avança em modelo de seguros climáticos com IA e dados da NASA
Postado por Redação em 25/06/2026 em NotíciasInsurtech já soma R$ 4,5 milhões captados e usa inteligência artificial para estruturar seguros paramétricos no agronegócio

Rodrigo Gandra, Adriano Bacha, Luis Ricci Maia e Leonardo Maia, cofundadores da TRAG. Créditos: divulgação
A TRAG, insurtech voltada à mensuração, análise e transferência de risco agroclimático, captou R$ 2,5 milhões em uma nova rodada liderada pela DOMO.VC. O aporte funciona como extensão do pré-seed realizado em setembro de 2024, elevando para R$ 4,5 milhões o total já captado pela startup.
Além da DOMO.VC, a rodada contou com participação da Ventiur, Anjos do Brasil e investidores-anjo com experiência em seguros, fintechs e tecnologia, incluindo executivos ligados a empresas como Meta e Tesla.
Fundada em 2024, em Franca (SP), a TRAG combina dados satelitais globais desenvolvidos em programas da NASA com modelos proprietários de inteligência artificial na estruturação de seguros paramétricos. Nessa modalidade, as indenizações são acionadas automaticamente quando eventos climáticos previamente definidos, como seca, excesso de chuva ou temperaturas extremas, atingem determinados níveis, sem necessidade de vistoria em campo. A proposta da startup é transformar risco agroclimático em previsibilidade financeira para o agronegócio.
O negócio opera nos modelos B2B e B2B2C, estruturando soluções de proteção climática para o agronegócio sem assumir diretamente o risco das operações, transferido para resseguradores globais. Segundo a startup, o formato amplia o acesso à proteção climática em regiões historicamente excluídas pelos modelos tradicionais, com mais previsibilidade, agilidade operacional e eficiência de custos.
Um dos exemplos recentes ocorreu em Corumbiara (RO), onde a TRAG estruturou uma apólice paramétrica para um pequeno produtor de milho safrinha que precisava acessar crédito rural via Proagro, mas não encontrava cobertura disponível no mercado tradicional devido às características da operação. A solução permitiu viabilizar o financiamento dentro das exigências do Manual do Crédito Rural.
Segundo o cofundador e CEO Leonardo Maia, o novo investimento reforça a tese de que a gestão do risco agroclimático precisa evoluir para modelos mais inteligentes, baseados em dados e inteligência artificial.
“O agro brasileiro convive com uma exposição climática crescente, enquanto grande parte dos produtores ainda opera com baixa cobertura e pouca previsibilidade financeira diante dos eventos extremos. Nosso objetivo é usar tecnologia e IA para transformar risco climático em uma variável mais mensurável, acessível e escalável para toda a cadeia”, comenta Leonardo.
Smart money e expansão tecnológica
Mais do que financiar o crescimento da startup, a rodada atual foi desenhada para incorporar “smart money” à operação, conectando a TRAG a investidores com experiência em seguros, fintechs, tecnologia e expansão de negócios. Para Franco Pontillo, general partner da DOMO.VC, a empresa atua em uma das principais lacunas estruturais do setor no Brasil: o acesso à proteção climática com inteligência de dados e capacidade de escala.
“A TRAG conseguiu unir tecnologia, distribuição e conhecimento técnico do agronegócio em um mercado que ainda é pouco eficiente e muito relevante para o país. Vemos um imenso potencial de crescimento em um segmento que deve ganhar cada vez mais importância diante do avanço dos eventos climáticos extremos”, diz Pontillo.
Os recursos serão direcionados principalmente à evolução dos modelos de IA aplicados à subscrição de risco agroclimático e à melhoria da experiência do cliente. A meta é atingir R$ 500 milhões em risco protegido em até 24 meses, além de ampliar parcerias com distribuidores, corretores e players estratégicos.
A startup também avalia expansão para países como Argentina e Paraguai.
Crescimento e tração
Desde a rodada inicial, a TRAG acelerou a operação. Atualmente, atende empresas como GDM, Culttivo, Aegro, CrediSIS, A2G Seguros, Geagro, dentre outras.
O valor segurado avançou 47%, passando de R$ 55 milhões para R$ 81 milhões, com operações distribuídas em oito estados e oito culturas agrícolas. A área protegida mais que triplicou ao longo de 2025, enquanto a importância segurada cresceu quase dez vezes na comparação entre o segundo semestre de 2024 e o segundo semestre de 2025.
Segundo o CEO, o diferencial está na capacidade de calibrar risco de forma individualizada.
“Nosso diferencial não está apenas no produto em si, mas na capacidade de calibrar o risco de forma individualizada por produtor, cultura e região, unindo inteligência climática, engenharia de seguros e distribuição para um dos setores-chave da economia brasileira”, conclui o CEO, Leonardo Maia.







