Tokenização e crédito privado: como os ativos digitais ganham espaço na gestão financeira do agronegócio
Postado por Redação Agro Summit em 30/09/2026 em NotíciasEstudo aponta que redução de fricções e automação por meio de smart contracts abrem caminho para captações mais baratas e ágeis no financiamento de cooperativas, empresas e produtores rurais

A busca por eficiências operacionais, redução de custos de intermediação e novas fontes de liquidação e captação de recursos tem levado o mercado financeiro a acelerar o uso de blockchain e inteligência artificial na estruturação de ativos. No Brasil, o crédito privado desponta como a principal classe de produto a ganhar escala por meio da tokenização um movimento que começa a impactar diretamente a gestão de caixa e o financiamento de empresas e produtores da cadeia do agronegócio.
Segundo dados do relatório Brazil Tokenization Report 2026, elaborado pela plataforma de investimentos Nexa, 48% dos profissionais do setor financeiro entrevistados apontam o crédito privado como o próximo produto a alcançar escala via tokenização. Entre os setores da economia real apontados como geradores desse volume, o agronegócio aparece responsável por 10% do potencial de emissões, ao lado de segmentos como infraestrutura (10%) e mercado imobiliário (9%).
Atualmente, o país já soma mais de R$ 10 bilhões em ativos tokenizados, dos quais 88% estão concentrados em instrumentos de crédito privado.
Gargalos operacionais e liquidez no campo
A atratividade do crédito privado para a tecnologia de registro em blockchain reside no fato de o segmento ser historicamente marcado por processos manuais, pulverização e baixa padronização gargalos recorrentes também na gestão de títulos de crédito do agronegócio, como Cédulas de Produto Rural (CPRs), duplicatas e certificados de recebíveis.
A automação desses processos via contratos inteligentes (smart contracts) e infraestrutura distribuída visa reduzir fricções que encarecem a captação no campo.
“Por ser menos líquido e envolver processos mais manuais, investimentos pulverizados e não padronizados, o crédito privado apresenta uma estrutura na qual a tecnologia pode reduzir fricções relacionadas à liquidez, aos custos, padronização e à transparência”, explica Cecília Melo, coordenadora do relatório e sócia da Nexa.
A convergência entre Blockchain e Inteligência Artificial
Além do registro descentralizado de ativos, a digitalização dos processos de análise e concessão de crédito vem incorporando ferramentas de Inteligência Artificial. De acordo com o levantamento, 78% dos bancos, alocadores e provedores de infraestrutura consultados já utilizam IA generativa em produção, com aplicações concentradas em inteligência de mercado (65%), compliance (56%), risco e fraude (54%) e análise de crédito (51%).
Para os gestores do agronegócio, a combinação entre a inteligência de análise de dados e a execução via blockchain abre caminho para estruturas de financiamento mais customizadas e ágeis no momento de tomar decisões de crédito ou estruturar garantias.
“Toda onda tecnológica mudou a forma como as pessoas investem: a tela eletrônica, o desktop, o home broker, a nuvem, o mobile. Cada uma ampliou o acesso; nenhuma mudou o produto. IA e blockchain são a primeira que muda o produto. A IA fornece a camada de inteligência: entende o objetivo, interpreta e decide. A blockchain fornece a camada de execução: emite, liquida e registra. Juntas, tornam possível a personalização em escala”, avalia Cecília.
À medida que os trilhos tecnológicos ganham maturidade institucional, a tendência é que ferramentas de tokenização passem a integrar de forma mais recorrente o portfólio de opções dos diretores financeiros (CFOs) e gestores de cooperativas e agroindústrias na busca por capital de giro e mitigação de riscos de inadimplência.







