Além da tecnologia no campo: estudo com a Embrapa revela os gargalos de gestão e adoção da Agricultura 4.0
Postado por Redação Agro Summit em 30/09/2026 em NotíciasColetânea internacional organizada pela Embrapa revela que o sucesso da IA e da digitalização no campo depende da superação de barreiras culturais, processos e gestão do trabalho

A transformação digital no agronegócio avança em ritmo acelerado, mas a simples implementação de novas ferramentas não garante o sucesso operacional das propriedades e empresas do setor. É o que aponta o livro Agricultura 4.0: rumo a um novo ecossistema agroalimentar, publicado pela editora Springer Nature em setembro. Organizada por pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital em parceria com as universidades gregas Aristóteles de Tessalônica e Helênica Internacional, a obra reúne especialistas internacionais para analisar como a digitalização impacta a tomada de decisão, os modelos de negócios e a gestão do trabalho no campo.
A publicação destaca que a maturidade digital no agro depende da superação de barreiras culturais, institucionais e de processos. Para que tecnologias como inteligência artificial, automação e análise de dados gerem valor real, as organizações precisam olhar além dos softwares e integrar fatores humanos e operacionais às suas estratégias corporativas.
Segundo Jayme Barbedo, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, a literatura do setor costuma focar no aspecto técnico, negligenciando os fatores estruturais da mudança:
“A maior parte da literatura e das discussões se concentra na tecnologia em si e não em vários outros aspectos, como as barreiras de adoção, tão importantes quanto a própria tecnologia.”
Desafios de gestão, resiliência e modelos de negócios
Dividida em três partes, a coletânea aborda temas diretamente ligados à governança e à sustentabilidade das operações no agronegócio. Entre os destaques estão o suporte da inteligência artificial na tomada de decisões estratégicas, a estruturação de novos modelos de negócios em agFoodTechs e as transformações nas rotinas de trabalho e saúde mental dos produtores na era digital.
Franco da Silveira, também pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e um dos organizadores do livro, reforça que o avanço da Agricultura 4.0 exige uma reestruturação na forma como as lideranças e os ecossistemas do agro tomam decisões:
“A Agricultura 4.0 envolve mudanças na forma como agricultores, pesquisadores, empresas, instituições públicas e demais atores se relacionam, produzam conhecimento e tomam decisões. Compreender essas relações é essencial para que as tecnologias cumpram seu papel.”
A obra traz ainda experiências práticas como as do Centro de Ciências para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital), iniciativa coordenada pela Embrapa Agricultura Digital e financiada pela Fapesp. O projeto avalia como a tecnologia corporativa e a inclusão socioprodutiva reduzem assimetrias de mercado em dez Distritos Agrotecnológicos (DATs) no Brasil, servindo de modelo de gestão adaptado para governos e programas no Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai (via Procisur).
A publicação conta com contribuições de Silvia Massruhá e outros pesquisadores da Embrapa, além de acadêmicos de instituições globais como a Universidade de Talca (Chile), Harper Adams (Reino Unido) e o Instituto de Pesquisa e Formação Agrária e Pesqueira da Andaluzia (IFAPA, Espanha).







