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Reforma tributária redefine modelo das tradings e pressiona eficiência na cadeia agro

Postado por Redação em 27/04/2026 em Mercado

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Redução de benefícios fiscais desloca competitividade para operações, dados e gestão integrada de supply chain


Plínio Dias, Head da Barter Trading. Crédito: divulgação

A reforma tributária em andamento no Brasil começa a provocar uma mudança estrutural no modelo de atuação das tradings. Com a redução progressiva dos benefícios fiscais estaduais, empresas que historicamente estruturaram suas operações com base na eficiência tributária passam a enfrentar um novo cenário, em que competitividade dependerá cada vez mais de capacidade operacional, integração logística e uso intensivo de tecnologia.

Esse movimento impacta diretamente a cadeia do agronegócio, altamente dependente dessas operações para viabilizar exportações, importação de insumos e escoamento da produção. Sem o peso dos incentivos fiscais como principal diferencial, decisões estratégicas passam a considerar fatores como custo logístico, eficiência portuária e previsibilidade operacional.

Para Plínio Dias, Head da Barter Trading, o setor vive um momento decisivo. “A pergunta que o mercado precisa fazer não é se o benefício fiscal vai acabar, mas como as tradings vão se reposicionar antes que ele deixe de ser relevante. O modelo baseado apenas em incentivo tributário tem prazo de validade”, afirma.

Segundo ele, a sobrevivência das tradings, especialmente as de médio porte, dependerá da capacidade de oferecer serviços além da intermediação fiscal. Entre os caminhos apontados pelo mercado estão a coordenação completa de embarques internacionais, a gestão integrada de documentação e compliance, o controle de qualidade e testes técnicos, a estruturação financeira das operações, o monitoramento estratégico da cadeia logística e a distribuição nacional com maior flexibilidade portuária.

“A empresa que importa ou exporta não quer apenas redução de imposto. Ela quer previsibilidade, segurança e eficiência operacional. Se assumimos a coordenação completa da operação, o cliente reduz estrutura interna e ganha escala”, explica Plínio.

Com o enfraquecimento dos incentivos estaduais, a decisão sobre onde internalizar a mercadoria tende a deixar de ser tributária e passar a ser estratégica. “Sem a amarra do benefício fiscal, podemos operar em diferentes portos do país priorizando logística, custo e prazo.”

A tecnologia passa a ser elemento central nesse novo modelo. Investimentos em sistemas próprios, automação e inteligência artificial permitem reduzir tempo de desembaraço, ampliar capacidade de processamento e mitigar riscos operacionais.

“O ganho de eficiência é concreto. Processos que antes levavam horas passam a ser realizados em minutos com apoio de tecnologia. Isso muda completamente a competitividade da operação”, afirma.

Plínio também avalia que o setor deve passar por consolidação. “As grandes tradings, que têm estrutura financeira robusta e capacidade de financiamento, tendem a se fortalecer. Já as empresas que dependem exclusivamente do benefício fiscal precisarão se reinventar.”

Para ele, o futuro da trading está na integração de serviços e na inteligência de supply chain. “Não é mais sobre aproveitar um incentivo estadual. É sobre coordenar ponta a ponta, integrar logística, tecnologia e gestão. Quem entender isso antes vai sair na frente.”

Esse movimento de reposicionamento já começa a ser observado no mercado. A tendência indica que empresas com esse perfil, capazes de atuar como um ecossistema completo de comércio exterior, estarão mais preparadas para um cenário em que a competitividade dependerá menos de incentivos tributários e mais de capacidade operacional e estratégica.

Postado por Redação em 27/04/2026 em Mercado