Pesquisas aplicadas ao agro recebem aporte para transformar dados climáticos em ferramentas de gestão
Postado por Redação Agro Summit em 01/10/2026 em NotíciasIniciativas desenvolvem simuladores, painéis digitais e sistemas com IA para apoiar a tomada de decisão em cooperativas, no crédito rural e no planejamento de propriedades

A gestão do risco climático tornou-se uma das variáveis mais críticas para a sustentabilidade financeira e operacional do agronegócio. Com o objetivo de traduzir dados ambientais em decisões econômicas pragmáticas, o edital "Clima na Economia", promovido pelo HUB de Economia e Clima iniciativa do Instituto Clima e Sociedade (iCS), selecionou projetos de pesquisa que receberão até R$ 2,5 milhões para o desenvolvimento de soluções voltadas à tomada de decisão de governos, empresas e investidores.
Entre as iniciativas contempladas com foco direto no agronegócio e na cadeia produtiva rural, destacam-se o desenvolvimento de ferramentas digitais de análise de risco e a implementação de sistemas de inteligência artificial aplicados ao uso do solo e ao crédito rural.
Digitalização do risco no campo e no crédito rural
No Centro-Oeste, uma das frentes de trabalho é conduzida pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano). A pesquisa é focada na sustentabilidade e na tomada de decisão econômica para a agricultura familiar e cooperativas regionais.
O projeto prevê a estruturação de um ecossistema digital que inclui simuladores de cenários, indicadores de vulnerabilidade, painéis digitais e recomendações operacionais. A meta é criar parâmetros mensuráveis para que instituições financeiras e cooperativas possam incorporar os riscos climáticos no momento da concessão do crédito rural e no desenho de estratégias de mitigação.
Para Sarah Irffi, coordenadora do HUB de Economia e Clima, a proposta do ecossistema é aproximar a ciência das rotinas operacionais:
“Receber mais de 400 propostas mostrou não apenas o interesse crescente pelo tema, mas também a diversidade de questões econômicas que precisam ser enfrentadas diante das mudanças do clima. Agora, queremos apoiar pesquisas que consigam aproximar o conhecimento científico das decisões concretas, produzindo evidências que possam ser incorporadas por gestores públicos, empresas e investidores.”
Monitoramento de dados e uso do solo na Amazônia
Outra iniciativa de impacto direto para a gestão territorial e planejamento produtivo é desenvolvida pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). O estudo expandirá um observatório digital focado na adaptação climática na Amazônia.
A plataforma consolida dados sobre assentamentos rurais, capacidade institucional de municípios e uso do solo, transformando volumes de dados brutos em diagnósticos, painéis iterativos e indicadores econômicos. A ferramenta busca apoiar a regularização, a gestão de riscos na produção local e o direcionamento de investimentos em infraestrutura e cadeias sustentáveis na região.
Além dessas frentes, os recursos do edital também financiam projetos focados em análise de inteligência artificial aplicada ao território da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisas sobre impactos microeconômicos de eventos hidrológicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e modelos de políticas fiscais do Instituto de Ciência Tecnológica, Pesquisa, Inovação, Educação e Exportação (ICTEXP).
“Existe uma demanda por informações que permitam compreender os custos das mudanças climáticas. O objetivo é que as pesquisas não terminem na publicação de um estudo, mas ajudem a qualificar políticas que já estão sendo implementadas no país”, conclui Sarah Irffi.







