Período de transição amplia busca por regularização no e-CredRural e e-CredAc
Postado por Redação em 23/02/2026 em NotíciasCenário é agravado pela complexidade do ambiente regulatório e pela convivência de regras antigas com novas exigências digitais
Altair Heitor, especialista em gestão tributária para o agronegócio
O período de transição fiscal no agronegócio expõe inconsistências documentais que travam a habilitação de créditos nos sistemas e-CredRural e e-CredAc. No encerramento do exercício, surgem créditos inativos, notas com erros formais e cadastros desatualizados, que impactam diretamente o caixa dos produtores.
Altair Heitor, especialista em gestão tributária para o agronegócio da Palin & Martins, afirma que o cenário é agravado pela complexidade do ambiente regulatório e pela convivência de regras antigas com novas exigências digitais.
A transição, segundo ele, não tem sido apenas operacional, mas também cultural, exigindo do produtor maior atenção aos registros fiscais e à rastreabilidade das informações. “Grande parte das perdas no campo não ocorre na produção, mas no preenchimento fiscal. São erros invisíveis que corroem o caixa”, diz.
Na prática, as inconsistências mais recorrentes envolvem notas fiscais emitidas com CFOP inadequado, divergências entre dados declarados e efetivamente registrados nos sistemas estaduais, além da ausência de vinculação correta entre operações e créditos passíveis de recuperação.
Esses problemas, quando identificados apenas no encerramento fiscal, demandam retrabalho, retificações e, em alguns casos, levam à perda definitiva do crédito. “O produtor acredita que tem crédito, mas descobre tarde demais que ele está com inatividade cadastral ou erro de enquadramento . Quando isso acontece no fechamento, o impacto financeiro é imediato”, explica.
Outro ponto sensível é a falta de acompanhamento contínuo ao longo do ano. Muitos produtores ainda tratam a gestão fiscal como uma obrigação pontual, concentrada no fim do exercício, quando o ideal seria uma rotina de conferência e validação periódica.
Esse comportamento amplia o risco em um momento de transição, no qual os sistemas eletrônicos passaram a cruzar informações com mais rigor. “Hoje o controle não é mais apenas formal. O fisco analisa a coerência entre dados, operações e cadastros, e qualquer desalinhamento pode bloquear o crédito”, observa o especialista.
Diante desse cenário, cresce a demanda por processos de regularização preventiva, com revisão documental, saneamento de cadastros e auditoria dos créditos declarados antes do encerramento fiscal.
A busca não é apenas por conformidade, mas por preservação de margem em um setor pressionado por custos elevados, instabilidade climática e volatilidade de preços.“Regularizar não é só evitar autuação. É garantir que o crédito que já é do produtor, por direito, não se perca por falha operacional”, reforça.
Para analistas do setor, o período de transição funciona como um teste de maturidade fiscal do agronegócio. Quem antecipa ajustes e investe em controle tende a atravessar o fechamento com menos sobressaltos. Já quem posterga correções acaba descobrindo, no momento mais crítico do ano, que erros administrativos podem custar tanto quanto uma safra frustrada.








