Nova União Nacional da Pecuária alerta para desafios de gestão fiscal e rastreamento do rebanho
Postado por Redação Agro Summit em 05/11/2026 em NotíciasRepresentando 65% do rebanho nacional, a Unapec levanta debates sobre a CBS para faturamentos acima de R$ 3,6 milhões e o impacto das exigências sanitárias nas exportações de carne

A conformidade com as exigências de mercados internacionais e as profundas alterações no ambiente fiscal brasileiro colocam a gestão da pecuária de corte em um momento de transição decisivo. Com a projeção de obrigatoriedade da rastreabilidade individual do rebanho para 2032 e a implementação da Reforma Tributária, produtores rurais e gestores do setor enfrentam o desafio de integrar tecnologia, dados e controle operacional para manter a rentabilidade e o acesso aos mercados globais.
A necessidade de maior eficiência operacional e de transparência na cadeia produtiva ganhou relevância com a atuação da rescentemente formada União Nacional da Pecuária de Corte (Unapec). A entidade, que reúne representantes de oito estados responsáveis por cerca de 65% do rebanho nacional e mais de 83% das exportações de carne bovina, coloca no centro do debate a preparação das propriedades rurais para as novas exigências regulatórias e sanitárias.
No pilar fiscal, a gestão financeira das fazendas passa por um escrutínio inédito com a introdução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Para propriedades com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões, a incidência tributária estimada em cerca de 4,53% exige um controle rigoroso de custos e a adoção de sistemas de ERP e softwares de gestão agrícola capazes de apurar tributos e gerenciar o fluxo de caixa com precisão.
Guilherme Bumlai, presidente da Acrissul e da Unapec, demonstra preocupação com a adaptação dos produtores a esse novo cenário e defende a busca por mecanismos de diferimento ao longo da cadeia:
"Muitos pecuaristas ainda não têm clareza sobre as mudanças e os impactos que podem ocorrer a partir de 1º de janeiro."
Além do desafio fiscal, o monitoramento individual dos animais emerge como um requisito de compliance e gestão operacional. A rastreabilidade individual deixa de ser um mero cumprimento burocrático para se tornar uma estratégia de negócios, na qual a coleta automatizada de dados no campo via identificação eletrônica e integração com plataformas digitais, passa a ser indispensável para garantir a sanidade, comprovar métricas socioambientais e proteger o produtor contra barreiras comerciais.
A pressão por transparência intensifica-se à medida que países importadores utilizam critérios ambientais e sanitários na regulamentação do comércio global, exigindo que a gestão da propriedade rural esteja conectada às demandas de toda a cadeia de suprimentos, do pasto ao frigorífico.







