Acordo Mercosul-EFTA amplia exigências de rastreabilidade e gestão de dados no agro exportador
Postado por Redação Agro Summit em 05/11/2026 em NotíciasCom o início da vigência das regras do tratado, acesso às preferências tarifárias exige que agroindústrias e cooperativas reforcem sistemas de rastreabilidade, controle fiscal e governança de informações

A entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), iniciada pelo mercado norueguês, abre novos canais de acesso para o setor produtivo brasileiro em uma das regiões de maior poder de compra do mundo. No entanto, para que a agroindústria, cooperativas e produtores rurais aproveitem a eliminação gradual de tarifas, o desafio deixa de ser prioritariamente tarifário e passa a ser operacional: a capacidade de comprovação de origem e conformidade por meio da gestão de dados.
Com exigências rigorosas de transparência, a concessão de preferências tarifárias depende diretamente do cumprimento de regras de origem complexas e padrões socioambientais. Na prática, a validação de mercadorias no comércio com países como Noruega e Suíça exige que as empresas brasileiras integrem seus sistemas de gestão (ERP) a plataformas de geomonitoramento, rastreabilidade da cadeia de suprimentos e certificação digital. Sem um fluxo contínuo de dados operacionais que comprove a trajetória do produto do campo ao porto, os ganhos de competitividade previstos no tratado perdem eficiência.
O fortalecimento da governança da informação torna-se, portanto, um pré-requisito de acesso a mercado. Para os gestores da cadeia do agronegócio, o acordo impõe a modernização de processos internos de controle fiscal, logística e governança socioambiental (ESG). A automação na coleta de informações desde a produção primária até o processamento agroindustrial deixa de ser apenas uma busca por eficiência interna e passa a ser a chave de controle para garantir a conformidade regulatória nas exportações para o bloco europeu.
Segundo a superintendente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, o avanço representa uma oportunidade estratégica para o alinhamento do país às exigências do comércio global. "A CNI acompanhou de perto todos os passos do acordo e agora queremos que isso se torne benefícios concretos para a indústria brasileira. É um importante avanço para a inserção internacional do Brasil", explica.
A adaptação a esses novos fluxos de trabalho exige que executivos e gestores de tecnologia no agro estruturem auditorias digitais e padronizem o envio de documentações aos órgãos fiscalizadores. Com o avanço do acordo nos demais países do bloco, a capacidade de cruzar dados agrícolas com exigências regulatórias internacionais definirá quais empresas conseguirão escalar sua presença em mercados globais de alto valor agregado.







