MBRF conclui migração de ERP na operação de aves e suínos para acelerar adoção de IA na agroindústria
Postado por Redação Agro Summit em 24/09/2026 em NotíciasProjeto abrangeu mais de 20 mil usuários em 18 países e preparou a infraestrutura digital do grupo para automatizar processos que vão do campo à indústria

A MBRF gigante global do setor de proteína animal nascida do M&A entre BRF e Marfrig, concluiu a migração do seu sistema de gestão (ERP) SAP ECC para a plataforma em nuvem S/4 Hana na operação de aves e suínos. A mudança teve como principal objetivo destravar gargalos de infraestrutura que limitavam o avanço de novas tecnologias, como inteligência artificial e automação de processos, na gestão das operações do grupo.
O projeto, iniciado na estrutura da antiga BRF antes da fusão, durou 11 meses e contou com a parceria da multinacional alemã SAP e da empresa de automação de sistemas Mignow. A transição envolveu a conversão técnica de 12 Terabytes de dados, 14 módulos funcionais e mais de 150 integrações com sistemas de terceiros, atingindo uma rede de 20 mil usuários distribuídos por 18 países.
De acordo com a companhia, a substituição do sistema legado era um passo necessário para suportar a evolução tecnológica exigida por uma cadeia produtiva complexa, que integra desde a originação e produção no campo até o processamento industrial e a distribuição global.
“O ECC nos limitava nessa atualização da parte de inteligência artificial para fomentar a evolução dos nossos negócios”, conta Michell Longhi, gerente executivo de arquitetura tech e digital lab da MBRF.
Desafio operacional e estabilidade
Um dos maiores desafios em projetos de grande porte na agroindústria é o downtime: período em que os sistemas ficam indisponíveis, uma vez que a paralisação de sistemas pode impactar fluxos contínuos de abate, processamento de alimentos e logística de exportação. No caso da MBRF, o desligamento programado durou 32 horas.
“Esse projeto foi extremamente desafiador e o downtime foi algo surpreendente no mundo. É um cliente com uma complexidade tremenda, porque você não tem uma janela de downtime. Quando ele está rodando aqui no Brasil, tem um outro lugar no mundo que está dormindo e vice-versa”, relata Paulo Secco, CEO e fundador da Mignow.
Segundo a MBRF, a migração com baixa intervenção manual permitiu manter a continuidade dos negócios sem paradas não planejadas nas unidades operacionais.
“Em uma migração, você mexe em muitas partes técnicas e muitos processos e essa alteração foi tão bem feita que nem percebemos. Logo depois da janela de downtime, já começamos nossa operação normalmente, com uma estabilidade muito boa. Então isso demonstra a qualidade do projeto e como conseguimos entregar isso da melhor forma possível”, avalia Longhi.
Próximos passos e uso de inteligência artificial
Após o go live do sistema, a empresa iniciou a fase de aplicação de novas camadas de tecnologia sobre a plataforma recém-instalada. O foco inicial está na área financeira e na realização de workshops internos para mapear processos operacionais que podem ser otimizados com o uso de inteligência artificial generativa e ferramentas de automação (como SAP BTP, AI Core e Joule).
“A gente vem fazendo com bastante recorrência webinars e workshops específicos dentro das áreas. Nesses workshops, conseguimos identificar oportunidades e evoluir com o processo de negócio, revisando o processo muitas vezes e automatizando com IA”, acrescenta Longhi.
Com volume de produção anual de cerca de 8 milhões de toneladas de alimentos e atuação em mais de 110 países, a modernização do ERP posiciona a MBRF para integrar dados em tempo real ao longo de suas diferentes unidades operacionais.







