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Lighthouse e erural apostam na pecuária digital para reduzir gargalos históricos do setor

Postado por Redação em 15/06/2026 em Notícias

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Com investimento da Lighthouse e uso de IA, a erural busca ampliar produtividade e reduzir assimetria de informação na genética bovina

A digitalização da pecuária brasileira começa a avançar sobre um dos segmentos historicamente mais dependentes de relações presenciais: a comercialização genética e reprodutiva do rebanho.  

Em um mercado tradicionalmente baseado em leilões, indicações e negociações descentralizadas, o uso de inteligência artificial, análise de dados e plataformas digitais começa a alterar a dinâmica do setor, especialmente na compra e venda de animais de alto valor genético.  

O movimento também tem atraído investidores. A Lighthouse, gestora de venture capital com foco nas regiões Norte e Nordeste, investidora da erural desde os primeiros estágios da empresa, já aportou mais de R$ 5 milhões no negócio, em uma aposta na digitalização da pecuária e no uso de inteligência de dados para ampliar produtividade e eficiência no campo.  

A erural afirma que já intermediou a oferta de mais de 200 mil animais puros, movimentando cerca de R$ 300 milhões em transações e atendendo aproximadamente 4 mil pecuaristas. Além da comercialização, a operação também inclui intermediação financeira e logística para entrega dos animais.  

Para Alexandre Darzé, sócio-diretor da Lighthouse, o interesse está na combinação entre um mercado de grande relevância econômica e gargalos históricos ainda pouco resolvidos. “A pecuária movimenta ativos de alto valor, mas ainda opera com muita fricção e assimetria de informação”, afirma. 

De acordo com o executivo, boa parte das negociações ainda acontece de forma pouco padronizada, com diferenças relevantes no acesso à informação entre compradores e vendedores.  

“Desde o início, não enxergamos a empresa apenas como um marketplace. Vimos ali a oportunidade de construir uma infraestrutura digital para a pecuária, capaz de organizar oferta e demanda, qualificar informações, aumentar liquidez e reduzir fricção nas transações”, diz.  

Para o investidor, o diferencial está justamente na combinação entre dados, acesso e eficiência produtiva. “A nossa tese sempre foi que a pecuária precisaria de uma camada digital mais sofisticada para ganhar produtividade e liquidez, [...], combinando transação, dados, confiança, recomendação e serviços financeiros. A demanda global por proteína pressiona o setor a produzir melhor, com mais tecnologia, melhor genética e melhor uso de dados". 

IA começa a funcionar como inteligência de mercado  

A digitalização da pecuária vai além da simples migração das negociações para o ambiente online. Na prática, o avanço de inteligência artificial e análise de dados começa a criar uma camada adicional de inteligência de mercado, capaz de cruzar informações genéticas, comportamento de compra e tendências produtivas.  

“A plataforma consegue identificar, por exemplo, quanto vale um touro melhorador em determinado período produtivo, quais raças estão em valorização e quais características estão sendo mais demandadas”, explica Matheus Ladeia, CEO da erural.  

O executivo afirma que a inteligência artificial não substitui a decisão do pecuarista, mas reduz margens de erro ao trazer mais previsibilidade às escolhas produtivas.  

“Não existe um ‘melhor animal’ de forma absoluta. Existe o animal mais adequado para cada sistema de produção, considerando clima, manejo, nutrição e objetivo do produtor”, afirma. “A inteligência artificial não substitui a decisão do pecuarista, mas reduz significativamente a margem de erro ao trazer mais dados e previsibilidade. E erro, nesse setor, custa caro: uma diferença de apenas 20 quilos no peso à desmama, quando multiplicada por todo o rebanho, pode alterar de forma relevante a rentabilidade da operação". 

O uso de IA não se limita à recomendação individual: ele começa a alterar o funcionamento do mercado. A erural também passou a operar como uma fonte de inteligência para o setor, ao analisar dados de comercialização e comportamento. Esse tipo de informação, antes dispersa, passa a orientar decisões de compra, venda e investimento, funcionando como uma espécie de “termômetro” da genética bovina no país. 

“Quando analisamos padrões de busca e compra, conseguimos identificar movimentos antes de virarem tendência, explica Ladeia.  

Na avaliação da Lighthouse, esse avanço começa a mudar a própria lógica das plataformas digitais no agronegócio. Categorias historicamente marcadas por excesso de fricção, baixa padronização e complexidade operacional podem ganhar uma nova dinâmica à medida que a inteligência artificial reduz gargalos e melhora o matching entre oferta e demanda.  

“A IA entra como um intermediador inteligente, capaz de qualificar oferta e demanda, reduzir fricção e melhorar o matching, algo que seria impossível manualmente nessa escala”, afirma Darzé.  

Tecnologia busca reduzir barreiras históricas da pecuária  

Outro desafio enfrentado pelo setor está relacionado ao acesso à genética de qualidade. Em muitas regiões do país, especialmente fora dos grandes polos pecuários, produtores ainda enfrentam limitações ligadas à distância, acesso a criadores especializados e disponibilidade de informações técnicas.  

Nesse cenário, plataformas digitais buscam reduzir esse gargalo ao integrar comercialização, dados e logística.  

Com apoio de inteligência artificial, a erural reúne informações genéticas, zootécnicas e de mercado, cruzando dados antes dispersos, como desempenho reprodutivo, histórico do rebanho e características produtivas para apoiar decisões mais assertivas.  

De acordo com a empresa, a operação já alcança praticamente todo o território nacional, com maior concentração no Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, regiões que concentram grande parte da atividade pecuária brasileira.  

“Em muitas regiões, o produtor está a quilômetros de distância de qualquer oferta de genética. A plataforma resolve isso: ele pode acessar, comprar e receber o animal com mais segurança, transparência e previsibilidade”, afirma Ladeia.  

Apesar do avanço tecnológico, especialistas apontam que a digitalização da pecuária ainda enfrenta barreiras culturais, em um setor historicamente baseado na confiança construída no contato direto.  

“O desafio foi mostrar que tecnologia não substitui a relação, ela melhora o resultado”, conclui Ladeia. 

Postado por Redação em 15/06/2026 em Notícias