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El Niño no pós-colheita: como a gestão de armazenagem reduz perdas de grãos sob alta umidade

Postado por Redação Agro Summit em 04/11/2026 em Notícias

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Aumento do volume colhido sob chuvas intensas pressiona a infraestrutura de secagem e aeração, exigindo estratégias eficientes e controle térmico dentro dos silos para proteger a margem financeira da safra

 

O impacto de fenômenos climáticos como o El Niño costuma ser monitorado de perto durante o plantio e o desenvolvimento do ciclo no campo. No entanto, os desdobramentos operacionais e econômicos do clima instável se estendem para além da colheitadeira. Na fase pós-colheita, a gestão das unidades de recebimento e armazenagem passa a ser o elo crítico para evitar a deterioração da produção e garantir a rentabilidade da operação.

Com chuvas mais frequentes e períodos reduzidos de sol nas regiões produtoras, os grãos chegam aos silos carregando um percentual elevado de umidade. Se não houver uma gestão térmica e de renovação de ar adequada no ambiente interno das estruturas, o ar quente e úmido encontra superfícies frias, gerando condensação. As gotas de água resultantes desse processo pingam sobre a massa estocada, favorecendo o surgimento de fungos e grãos ardidos.

 

Velocidade de colheita vs. capacidade de recebimento

O gargalo da armazenagem não é apenas uma questão de infraestrutura física, mas de gestão de fluxo. O avanço da maquinização e da eficiência no campo aumentou o volume e a velocidade de colheita em janelas mais curtas, pressionando a capacidade de secagem das unidades.

Júlio Espel, diretor da Qualygran e distribuidor do Cycloar no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, chama a atenção para os desafios que começam no recebimento da safra. O aumento da umidade e a concentração da colheita em períodos curtos pressionam a estrutura de secagem e armazenagem. A produtividade e a velocidade da colheita cresceram, mas nem todas as unidades de recebimento acompanharam esse ritmo.

Para Espel, é preciso avaliar a estrutura disponível e os cuidados necessários para conservar o produto depois de armazenado. A atenção deve se estender às condições internas do silo, porque o trabalho não termina quando os grãos são depositados.

 

Manejo de aeração e controle de condensação

Para os gestores de propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias, o desafio tático reside em equilibrar o tempo de secagem com o controle da aeração contínua.

No Centro-Norte, Adriano Mallet, distribuidor do Cycloar a partir de São Paulo, destaca a necessidade de reforçar os cuidados com grãos que chegam mais úmidos. “Com El Niño, vai colher grãos com mais umidade, com grãos tendendo para ardidos, trazendo fungos. É preciso trabalhar mais na secagem deste grão e cuidar bem da aeração.”

A física aplicada à conservação da massa de grãos mostra que pequenas variações de temperatura no topo do silo podem se traduzir em perdas substanciais no volume comercializável.

Já o distribuidor para o Paraná, Gilberto Sobzak, alerta para o risco de condensação no ambiente interno. “A umidade tende a aumentar no ambiente interno e, com a queda de temperatura, condensar, virar água que cai sobre os grãos, ocasionando perdas significativas para quem armazena.”

Entre as tecnologias adotadas para contornar esse problema na gestão do microclima dos silos estão os sistemas de exaustão, como o Cycloar. A solução atua na renovação contínua do ar no interior da estrutura, reduzindo o acúmulo de ar quente e úmido antes que ele se transforme em condensação. O uso desse tipo de equipamento atua de forma complementar aos sistemas tradicionais de secagem e monitoramento da massa estocada.

Em cenários climáticos adversos, a gestão eficiente da infraestrutura de armazenagem deixa de ser um custo operacional secundário e passa a integrar a estratégia direta de proteção do resultado financeiro e da margem de lucro do produtor.

Postado por Redação Agro Summit em 04/11/2026 em Notícias