Encontre aqui seu Software

Busca simples


Busca Avançada

Clima e dados: como a tecnologia se tornou aliada contra a imprevisibilidade do El Niño no agro

Postado por Redação Agro Summit em 25/09/2026 em Notícias

Compartilhar:

Uso de softwares de inteligência de dados, sensores de solo e modelos preditivos passa a ser decisivo para mitigar estresse hídrico e perda de produtividade na safra 2026/27

A consolidação de um novo episódio do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico acendeu o alerta para a safra 2026/27 no Brasil. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há uma probabilidade próxima de 100% de que os efeitos do fenômeno permaneçam ativos até o início de 2027. Mais do que uma ameaça isolada de quebra de safra, a principal marca do evento será a volatilidade: enquanto o Sul enfrenta excesso de chuvas, regiões do Norte, Nordeste e trechos do Matopiba lidam com a ameaça de estiagem e calor extremo.

Neste cenário de incertezas climáticas regionais, a capacidade de gestão de riscos e o uso de inteligência de dados deixam de ser diferenciais operacionais e passam a ser premissas de sobrevivência econômica para produtores e agroindústrias.

 

A volatilidade regional e o desafio da gestão

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima em 90% as chances de o El Niño se intensificar entre os meses de setembro e novembro, alterando o regime de precipitações e temperaturas em todo o país. O impacto varia conforme a cultura e a localização: no Sul, o excesso de umidade pode atrasar o plantio e a colheita do trigo e de grãos, além de elevar a pressão por doenças fúngicas. Já no Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, a combinação de calor elevado com estresse hídrico ameaça pastagens, o início do plantio da soja e a janela da segunda safra.

Para o empresário José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da holding Colpar Brasil, grupo com atuação nos setores agropecuário, industrial e urbanístico, a leitura do cenário precisa ser pulverizada.

“O El Niño precisa ser analisado regionalmente e também de acordo com cada atividade. Para quem produz alimentos, cria gado ou trabalha com florestas, mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas podem alterar o planejamento, a disponibilidade de água, as pastagens, a produtividade e até a logística. Por isso, mais do que falar em perdas ou ganhos generalizados, é preciso olhar para os diferentes cenários e se preparar para eles”, destaca Colnaghi.

 

Da previsão do tempo ao planejamento digital

Diante da impossibilidade de controlar o clima, a resposta do setor tem se concentrado na digitalização do planejamento agrícola. O uso de estações meteorológicas conectadas via IoT (Internet das Coisas), modelos preditivos baseados em inteligência artificial e plataformas de sensoriamento remoto via satélite permite antecipar tomadas de decisão que antes eram feitas de forma reativa.

A integração desses dados ao ERP e aos sistemas de gestão da propriedade possibilita recalcular janelas de plantio em tempo real, otimizar a aplicação de defensivos nos momentos de menor risco de lixiviação e gerenciar a irrigação de forma racional.

Segundo Colnaghi, a mitigação de danos passa por uma combinação de práticas agronômicas e acompanhamento contínuo de dados.

“Zoneamento agrícola, escalonamento do plantio, conservação de água e solo e acompanhamento das previsões meteorológicas podem reduzir a exposição das lavouras aos extremos”, finaliza o executivo.

Em uma safra marcada por múltiplos microclimas e instabilidade comercial, a transformação digital no campo consolida-se como a principal ferramenta para transformar incerteza meteorológica em previsibilidade operacional.

Postado por Redação Agro Summit em 25/09/2026 em Notícias