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Automação no campo acende alerta para requalificação no agro brasileiro

Postado por Redação em 09/02/2026 em Notícias

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Estudo da Pearson aponta que agricultura está entre os setores mais impactados pela transição tecnológica 

Automação no campo acende alerta para requalificação no agro brasileiro

Cinthia Nespoli, CEO Brasil da Pearson

A transformação tecnológica que avança sobre a economia brasileira já impõe efeitos concretos ao mercado de trabalho, e o agronegócio está no centro desse movimento. De acordo com o estudo “Lost in Transition Brasil”, divulgado pela Pearson, empresa global de educação e aprendizado ao longo da vida, 32% dos empregos brasileiros estão sob alto risco de automação, sobretudo nos setores agrícolas e industriais.

A agricultura responde por 7% das perdas de empregos no país, ficando atrás apenas da indústria, com 12%. Ambos os setores estão entre os mais expostos à automação e à adoção acelerada de novas tecnologias.

Segundo o estudo, o Brasil lidera as perdas econômicas devido às falhas nos chamados momentos de transição do ciclo do trabalho, que incluem a passagem entre a escola e o mercado de trabalho, as trocas de emprego e o impacto da automação. Entre os países analisados, o país tem um impacto estimado em R$ 1,08 trilhão por ano, o equivalente a cerca de 9% do PIB em 2024.

Grande parte desse prejuízo está associada à dificuldade de recolocação profissional: mais de 20% dos desempregados brasileiros buscam trabalho há mais de dois anos, com uma média de 42 semanas de procura, período significativamente maior do que o observado em países como Canadá e Reino Unido.

Além do desemprego prolongado, a automação aparece como o segundo maior fator de disrupção, colocando em risco 32% dos empregos no Brasil, especialmente nos setores de manufatura e agricultura. No campo, a incorporação de máquinas inteligentes, sistemas digitais, biotecnologia e soluções baseadas em dados vem transformando a forma de produzir, exigindo uma adequação ao perfil do trabalhador rural demandado pelo mercado.

Para Cinthia Nespoli, CEO Brasil da Pearson, o avanço tecnológico no agro é inevitável e necessário, mas precisa caminhar lado a lado com políticas e iniciativas de requalificação. “A agricultura brasileira é altamente inovadora e tem adotado tecnologias de ponta, mas isso exige um novo conjunto de habilidades. O desafio está em preparar as pessoas para acompanhar essa evolução e se manterem produtivas e empregáveis”, afirma.

Segundo a executiva, o estudo evidencia que a requalificação deixou de ser um tema periférico e passou a ser central para a sustentabilidade do setor. “Quando falamos em automação no campo, não estamos falando apenas de substituição de funções, mas de transformação de carreiras. Investir em educação contínua, desenvolvimento de competências digitais e técnicas é fundamental para reduzir as perdas econômicas e sociais dessa transição”, destaca Cinthia.

O levantamento da Pearson também aponta que países que conseguiram mitigar os impactos da automação foram aqueles que apostaram fortemente em programas de requalificação e aprendizado ao longo da vida, integrando educação, mercado e políticas públicas. No caso brasileiro, o agro pode se beneficiar desse movimento ao combinar sua vocação tecnológica com estratégias estruturadas de capacitação, especialmente para trabalhadores que hoje ocupam funções mais operacionais.

“O campo já é um ambiente de alta tecnologia, mas ainda há um descompasso entre a velocidade da inovação e a preparação da força de trabalho. Reduzir essa distância é essencial para garantir competitividade, inclusão e crescimento sustentável”, conclui Cinthia Nespoli.

Postado por Redação em 09/02/2026 em Notícias