Startup cria sistema para gestão de licenças ambientais na piscicultura
Postado por Redação em 27/04/2026 em NotíciasSolução centraliza controle de licenças ambientais e melhora a gestão de cooperativas e produtores integrados

Créditos: divulgação/Feira Fácil
A interrupção da produção por problemas regulatórios ainda é um dos gargalos silenciosos da piscicultura brasileira. Foi a partir desse cenário que surgiu a Coopera Fácil, solução desenvolvida pela startup paranaense Feira Fácil para centralizar o monitoramento de licenças ambientais e apoiar a gestão de cooperativas aquícolas.
No modelo atual, um piscicultor com licença ambiental vencida pode ter a produção interrompida, impactando diretamente a cadeia produtiva e gerando perdas significativas para as cooperativas. A proposta da plataforma é oferecer controle e monitoramento centralizado das licenças ambientais, permitindo que as cooperativas acompanhem a situação regulatória de todos os seus integrados.
“Além de monitorar os produtores que já estão em atividade, o sistema também acompanha o processo de regularização de piscicultores que desejam ingressar no modelo de integração. Com isso, as cooperativas passam a ter maior previsibilidade sobre o número de produtores ativos e sobre o volume de produção disponível para comercialização e exportação”, explica Gabrielli Vieira, cofundadora da startup.
A plataforma foi desenvolvida durante o Hackathon do Show Rural Digital 2026, no Oeste do Paraná. Em 36 horas, a equipe estruturou a solução a partir de conversas com profissionais do setor e especialistas em piscicultura presentes no evento. A validação prática da proposta foi um dos fatores que garantiram à startup o primeiro lugar na maratona.
Como parte da premiação, a equipe participará de uma imersão no ecossistema de inovação do Uruguai, organizada pela Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná (Assespro-PR). Para Adriano Krzyuy, presidente da entidade, o reconhecimento reforça o papel da tecnologia como instrumento de transformação em diferentes segmentos da economia.
“A inovação não está restrita às grandes indústrias ou aos centros urbanos. Quando uma startup aplica tecnologia para resolver desafios reais dos produtores, ela mostra como a transformação digital pode chegar à base da economia”, afirma.
Além da solução voltada à piscicultura, a Feira Fácil também desenvolve um sistema de gestão para feirantes e pequenos empreendedores, com foco em controle de vendas, estoque e fluxo financeiro.
A ferramenta pode ser acessada via celular ou computador e permite registrar vendas em poucos segundos, com atualização automática dos dados e geração de relatórios de desempenho. O sistema também pode ser integrado a maquininhas de cartão, automatizando o registro dos pagamentos e reduzindo erros operacionais no fechamento das vendas.
“O feirante é um microempreendedor e precisa de ferramentas profissionais, pensadas para a realidade dele. Nosso objetivo é simplificar a gestão e dar mais segurança para que ele foque no que faz de melhor: vender”, afirma Gabrielli.
Conexões internacionais
A missão técnica organizada pela Assespro-PR ocorrerá em Montevidéu, capital do Uruguai, que vem se consolidando como um polo tecnológico regional. Segundo dados do portal LatamList, especializado no ecossistema de startups e capital de risco na América Latina, a cidade concentrava cerca de 500 startups em 2024, número relevante para um país com população de aproximadamente 3,4 milhões de habitantes.
A expectativa é que a experiência contribua para a evolução das soluções e amplie as conexões da startup com outros ecossistemas da região. Enquanto isso, a Feira Fácil segue focada no desenvolvimento de tecnologias voltadas à base da cadeia produtiva, segmento que, apesar da relevância econômica, ainda enfrenta lacunas importantes em digitalização e gestão.
“Em um país onde milhares de trabalhadores informais e microempreendedores movimentam a economia nas feiras livres, iniciativas como essa mostram como a digitalização pode avançar também fora dos grandes centros corporativos, chegando às barracas, às cooperativas e aos pequenos negócios que fazem a economia girar todos os dias”, conclui a cofundadora.






