Segundo pesquisa do IIA Brasil, cibersegurança e IA entram no radar de governança do agronegócio
Postado por Redação Agro Summit em 02/10/2026 em NotíciasLevamento inédito mostra que riscos cibernéticos, disrupção digital e falta de mão de obra qualificada exigem uma abordagem unificada para proteger a eficiência operacional e a continuidade dos negócios no campo

Durante décadas, a gestão de riscos no agronegócio esteve concentrada no monitoramento de variáveis tradicionais do campo: clima, produtividade, cotações de commodities e disponibilidade de crédito. No entanto, o avanço da digitalização de processos rurais, o uso de inteligência artificial e a integração de sistemas de logística e finanças transformaram a dinâmica do setor, trazendo a tecnologia e a segurança cibernética para o centro do debate estratégico.
Segundo os dados da Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna, apresentada pelo Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), os riscos corporativos deixaram de atuar de forma isolada. O levantamento reúne pesquisas de consultorias e instituições globais como PwC, KPMG, Deloitte, Protiviti, Jefferson Wells, TrustArc, Nametag e do estudo Risk in Focus – América Latina (elaborado em parceria com a ECIIA).
No cenário multissetorial avaliado, 76% das organizações apontam a cibersegurança como o principal risco corporativo, enquanto 54% destacam a disrupção digital e a inteligência artificial entre as maiores ameaças operacionais. Mudanças regulatórias (49%), incertezas geopolíticas e macroeconômicas (45%) e gestão de capital humano (40%) completam os principais gargalos identificados pelas lideranças.
A convergência dos riscos na cadeia produtiva
Para o agronegócio brasileiro, a combinação desses elementos ganha contornos específicos. O setor vivencia um momento de ampliação no uso de instrumentos privados de financiamento, maior exigência por dados de rastreabilidade e sustentabilidade, além de uma dependência crescente de automação, softwares de gestão agrícola e sistemas ERP para balizar operações no campo e na indústria.
Nesse contexto, um incidente de segurança cibernética ou uma falha de governança de dados não compromete apenas o setor de TI, mas pode interromper fluxos de expedição, escoamento de safras, liquidação financeira e operações em cooperativas e tradings.
"O agronegócio sempre foi reconhecido por sua capacidade de administrar riscos climáticos e de mercado. O que mudou é que esses riscos deixaram de atuar isoladamente. Hoje, uma decisão pode ser influenciada, ao mesmo tempo, por fatores econômicos, regulatórios, tecnológicos, climáticos e geopolíticos. O desafio das empresas passa a ser compreender como esses elementos se conectam e quais impactos podem gerar sobre o negócio", afirma Paulo Gomes, diretor do IIA Brasil.
O gargalo de competências e a busca por especialização
A necessidade de migrar para uma governança integrada esbarra na qualificação de equipes internas. A pesquisa indica que 67% dos líderes de auditoria reconhecem que suas equipes ainda não possuem todas as competências técnicas necessárias para responder às demandas atuais. Além disso,59% consideram a capacitação das equipes um dos maiores desafios organizacionais, o que leva 86% das empresas a recorrerem a especialistas externos para auditorias de tecnologia da informação e segurança da informação.
Para a gestão das organizações agrícolas e agroindustriais, o cenário reforça a urgência de encarar a segurança digital e a análise preditiva não como custos operacionais, mas como pilares da continuidade do negócio.
"A competitividade do agro continuará sendo construída pela eficiência operacional e pela capacidade de inovar. Mas, cada vez mais, ela também dependerá da forma como empresas conseguem antecipar riscos, integrar informações e fortalecer sua governança. Em um ambiente de riscos combinados, decisões tomadas com base em uma visão fragmentada tendem a gerar vulnerabilidades maiores. Governança integrada passa a ser um diferencial competitivo para todo o setor", conclui Paulo Gomes.







