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Safra recorde de algodão pressiona logística de exportação e impulsiona debate sobre rastreabilidade na cadeia

Postado por Redação Agro Summit em 22/09/2026 em Notícias

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Com estimativa de 4,14 milhões de toneladas de pluma, setor busca rotas alternativas de escoamento e articula projeto para financiar inovação e transparência ambiental

A cotonicultura brasileira se prepara para movimentar um volume histórico na temporada 2025/26. Estimativas da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apontam para uma produção de aproximadamente 4,144 milhões de toneladas de pluma em 1,996 milhão de hectares. A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) projeta números convergentes, prevendo 4,178 milhões de toneladas. No entanto, o avanço no volume produzido impõe desafios imediatos de gestão operacional, eficiência de transporte e posicionamento de mercado.

Durante a Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, liderada pelo presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, representantes do setor discutiram estratégias para suportar o crescimento da oferta sem comprometer a margem de competitividade.

 

Gargalos logísticos e gestão da distribuição

Com perspectiva de novo recorde para as vendas externas, a eficiência no escoamento tornou-se variável crítica para os exportadores. O cenário global aponta para compradores mais cautelosos e intensificação da disputa por mercados, exigindo mitigação de riscos na etapa de transporte.

Segundo o presidente da Anea, Dawid Wajs, a capacidade dos portos tradicionais exige planejamento estratégico para evitar retenções de carga. Nesse contexto, a diversificação das rotas de embarque passou a ser tratada como prioridade operacional, com destaque para a ampliação do porto de Salvador como alternativa ao Porto de Santos para o direcionamento da pluma.

 

Regulação, rastreabilidade e sustentabilidade

Outro eixo de gestão abordado no encontro envolveu o valor agregado da fibra natural e a transparência da cadeia perante o mercado consumidor. A Abrapa apresentou a proposta de um projeto de lei voltado ao enfrentamento da poluição por microplásticos e à valorização de materiais de origem vegetal.

A medida prevê a criação de uma contribuição incidente sobre a importação de produtos têxteis acabados de fibras sintéticas. A arrecadação proposta seria direcionada a fundos de inovação, sustentabilidade, modernização industrial e mecanismos de rastreabilidade ambiental.

“A intenção é aperfeiçoar a iniciativa e construir apoio para uma agenda que concilie competitividade da indústria brasileira, inovação e valorização das fibras naturais”, afirmou o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.

No âmbito do processamento interno, o setor industrial busca ajustar o equilíbrio de consumo. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel, destacou que as importações de vestuário subiram 50,3% entre janeiro e agosto de 2026 comparado ao mesmo período de 2025, enquanto a produção de vestuário registrou queda de 4,2% no acumulado de 12 meses. O objetivo estratégico da indústria é expandir o consumo interno de algodão para cerca de 1 milhão de toneladas, demandando investimentos na transformação da matéria-prima no país.

Postado por Redação Agro Summit em 22/09/2026 em Notícias