O futuro do campo é feito de pessoas, dados e parceria
Postado por Pedro Quevedo, Diretor Comercial da Husqvarna para a América Latina em 27/10/2026 em Notícias ArtigosDiante da queda nas margens de lucro e da pressão climática, especialista aponta que o futuro do agronegócio passa pela união entre suporte contínuo, inteligência de dados e valorização do fator humano.

O dia no campo não começa em salas de reunião, mas no olhar atento do produtor para o horizonte, tentando antecipar o clima. Nas pequenas e médias propriedades rurais, porém, a resiliência histórica do agricultor enfrenta hoje uma pressão financeira sem precedentes. Em apenas quatro safras, a margem líquida média do produtor caiu 73%, de R$ 2.800 para cerca de R$ 750 por hectare, segundo o levantamento 10 Tendências do Agronegócio para 2026, da PwC Agtech Innovation. A queda reflete a combinação entre a alta dos custos de produção e a crescente imprevisibilidade climática.
Para ajudar o produtor a atravessar esse momento, a indústria precisa redefinir seu papel e sustentar o futuro do agronegócio sobre três pilares indissociáveis: parceria, dados e pessoas. A parceria se materializa na servitização — modelo que substitui a venda pontual de equipamentos pelo acompanhamento contínuo ao longo de todo o ciclo produtivo. Mais do que adquirir um ativo, o agricultor precisa de disponibilidade operacional, garantida por um ecossistema integrado de manutenção preventiva, suporte técnico ágil e peças originais. Essa aliança ganha vida na presença física de revendas, cooperativas e técnicos regionais, essencial para assegurar atendimento rápido em um país onde 67% da área agrícola ainda não tem cobertura de internet, como aponta o mesmo estudo da PwC.
Conectados a essa rede de apoio, os dados tornam-se ferramenta indispensável para a tomada de decisão e para a saúde financeira da operação. De acordo com o relatório Radar Agtech Brasil (elaborado por Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens), a inteligência artificial aplicada a máquinas e manejo já se traduz em sensores preditivos e dados operacionais que permitem monitorar frotas, antecipar manutenções e otimizar o consumo de recursos — evitando que o equipamento pare justamente no momento mais crítico do cultivo.
Nenhum avanço tecnológico ou volume de dados, no entanto, gera valor real sem o protagonismo de quem trabalha e vive no campo. A máquina mais moderna só atinge seu potencial máximo com um operador capacitado no comando, o que coloca a formação técnica, a segurança e a valorização humana no centro da inovação. E esse movimento começa com quem leva o conhecimento até a porteira. Na Husqvarna, contamos com um time altamente técnico e capacitado que atua lado a lado com produtores, revendas e cooperativas: profissionais que percorrem as regiões produtoras, demonstram equipamentos na prática, treinam operadores e mecânicos, orientam sobre manutenção e uso seguro e trazem de volta a escuta de quem conhece de perto a realidade de cada cultura. É essa proximidade que transforma tecnologia em resultado — e dado em decisão —, inclusive onde o sinal de internet ainda não chega.
Esse compromisso com o operador também se expressa em iniciativas de reconhecimento profissional, como o campeonato nacional “O Melhor Serrador do Brasil”, realizado em etapas regionais por todo o país, e nos investimentos contínuos da Husqvarna no complexo industrial de São Carlos (SP), que reforçam nossa presença local e nossa capacidade de responder com agilidade às necessidades do produtor brasileiro.
Nessa jornada rumo a um agronegócio mais resiliente e duradouro, a sustentabilidade assume papel central. Mais do que um conceito, ela se traduz em ações concretas: uso eficiente de recursos, redução de emissões e promoção da segurança no trabalho. Nesse contexto, a descarbonização do setor ganha força com a adoção crescente de equipamentos a bateria e de soluções robóticas tecnologias que, para entregar todo o seu potencial, também dependem de orientação técnica próxima ao produtor.
A América Latina vive um momento singular, com ritmo de crescimento acima da média global e milhões de propriedades rurais prontas para essa transformação. Enquanto mercados maduros, como o europeu, concentram-se em etapas avançadas de automação, nossa região tem a oportunidade de saltar etapas e adotar diretamente tecnologias limpas, eficientes e acessíveis.
Mais do que tendências, a transição energética e a digitalização já se consolidam como caminhos indispensáveis para um agro mais eficiente e resiliente. Mas elas só cumprem sua promessa quando chegam ao produtor acompanhadas de conhecimento e de gente preparada para apoiá-lo no dia a dia. Porque a inovação que realmente importa não é a mais complexa, e sim aquela que melhora a rotina de quem faz o campo acontecer.







