Inteligência artificial reduz pela metade tempo de P&D de novas tecnologias, apontam líderes agro da PwC
Postado por Redação Agro Summit em 26/10/2026 em NotíciasCom o apoio do ecossistema de AgTechs, ferramentas de IA aceleram a chegada de novas biotecnologias e produtos químicos e biológicos ao mercado agrícola

O avanço da inteligência artificial (IA) está transformando radicalmente o ritmo da inovação científica no agronegócio brasileiro. No desenvolvimento de novas tecnologias para o campo, especialmente em biotecnologia e melhoramento genético de sementes, a aplicação de ferramentas baseadas em IA reduziu pela metade o tempo necessário para levar uma nova solução do laboratório ao mercado.
Historicamente, o processo de screening e pesquisa inicial para colocar uma nova semente geneticamente modificada no mercado exigia cerca de 10 anos de estudos e investimentos que variavam entre 180 milhões e 200 milhões de euros. Hoje, com a integração de dados e IA no centro das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D) de grandes empresas e startups do setor, esse ciclo caiu para cerca de cinco anos, ou até menos.
O motor por trás da aceleração
A celeridade do processo atende a uma demanda crescente por respostas rápidas aos desafios de produtividade, sanidade e mudanças climáticas no campo. Segundo dados do Radar AgTech, mapeamento realizado em parceria com a Embrapa e a PwC, cerca de 90% das quase 2.800 startups do agronegócio ativas no Brasil já possuem plataformas construídas ou suportadas por inteligência artificial.
Para Dirceu Ferreira Junior, executivo e líder brasileiro no setor de inovação agrícola (Agtech), atualmente atuando como sócio e líder do PwC Agtech Innovation do hub PwC AgTech Innovation, a tecnologia atua como um veículo indispensável, viabilizando produtos finais mais eficientes para o produtor e democratizando o desenvolvimento tecnológico.
"Dificilmente você encontra uma AgTech hoje no Brasil que não use a inteligência artificial como veículo de um produto ou como o próprio produto final. A aplicação da IA no ecossistema de pesquisa traz uma velocidade sem precedentes para a chegada de novos híbridos, variedades e compostos químicos e biológicos à disposição da agricultura", destaca a liderança da instituição.
Desafios profundos e complementariedade
Apesar dos avanços expressivos trazidos pela inteligência artificial, o cenário exige a integração de múltiplas tecnologias para responder às exigências globais e locais do setor.
de acordo com Mayra Theis, sócia e líder da indústria de Agronegócio da PwC Brasil:
"Essas conexões elas são tão profundas e complexas sobre o aspecto de direcionar problemas diferentes, então você tem que direcionar um novo mercado que exige rastreabilidade, você tem que direcionar um mercado já existente que exige consistência, você tem que ganhar espaço no mercado que está trazendo novos desafios ou até mesmo resolver problemas internos como taxa de juros, crédito, questões climáticas."
Resultados perceptíveis no topo da gestão
A percepção de ganho prático não está restrita apenas aos laboratórios e campos de teste. De acordo com os recortes do setor agropecuário na última CEO Survey da PwC, 33% dos executivos principais (CEOs) do agronegócio brasileiro relatam que já observam resultados concretos e retornos mensuráveis a partir da adoção de inteligência artificial em suas operações.
Apesar da redução drástica no tempo de pesquisa, o setor ressalta que as etapas subsequentes como os trâmites regulatórios e a aprovação junto aos órgãos competentes seguem ritos próprios de avaliação e segurança ambiental. No entanto, a aceleração das fases iniciais representa um marco para a competitividade do agro brasileiro frente às exigências do mercado global.







