Na corrida pela digitalização na gestão do agro, Cotrijal migra para SAP S/4HANA
Postado por Redação Agro Summit em 01/09/2026 em NotíciasProjeto de migração unifica dados desde a recepção de grãos e venda de insumos até a agroindústria, preparando a infraestrutura da cooperativa gaúcha para a adoção de IA e automação.

O avanço da digitalização no agronegócio tem exposto um gargalo estrutural em grandes organizações do setor: a dificuldade de conectar a ponta produtiva à gestão corporativa. Em estruturas complexas, que gerenciam simultaneamente o recebimento de safras, a venda de insumos, a industrialização e a logística, sistemas de gestão legados e desconectados impedem a tomada de decisão em tempo real e atrasam a adoção de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e rastreabilidade ponta a ponta.
Para contornar essa barreira, grandes players do cooperativismo vêm revisando suas arquiteturas de TI para construir repositórios únicos de dados. A consolidação de sistemas empresariais de gestão (ERP) de última geração deixou de ser apenas uma atualização de software para se tornar uma decisão estratégica de governança e eficiência operacional.
Um exemplo desse movimento é o projeto recente conduzido pela Cotrijal. A cooperativa gaúcha concluiu a migração de sua base operacional para o ERP SAP S/4HANA, unificando a inteligência de dados de áreas que vão desde o faturamento de grãos e distribuição de insumos até fábricas de ração e unidades de atendimento ao produtor.
Reestruturação de processos e mobilização de equipes
A dimensão do projeto exigiu uma reformulação profunda nos fluxos de trabalho da cooperativa. Desde a fase de planejamento até a virada definitiva dos sistemas, mais de 150 profissionais, entre colaboradores internos e especialistas em migração, atuaram diretamente no redesenho das rotinas operacionais. Essa reestruturação abrangeu a recepção e o faturamento de safras, a distribuição de insumos nas lojas, a operação das fábricas de rações e os serviços ao associado, com o objetivo de eliminar o retrabalho e padronizar as informações de ponta a ponta.
Para garantir a adesão dos times e mitigar os riscos de paralisação nas entregas ao produtor rural, a gestão de mudança foi tratada como um pilar central da implantação. A transição demandou cerca de 18 mil horas de treinamento distribuídas em aproximadamente 150 cursos, capacitando as equipes de linha de frente tanto no modelo presencial quanto online. O esforço focou em preparar multiplicadores internos e líderes de unidade para operar a nova ferramenta e orientar associados durante o período de adaptação dos fluxos de atendimento.
Superada a janela crítica de migração dos dados e ajustes temporários no atendimento, a retomada gradual das rotinas permitiu estabilizar as operações comerciais e de recebimento de grãos sob a nova arquitetura. A unificação da base de dados não apenas elevou a transparência e os níveis de governança corporativa, mas também estabeleceu a sustentação necessária para suportar novos planos de expansão, como as operações da indústria Soli3, e a futura camada de automação e ferramentas preditivas.
Integração de processos e gestão de mudança
Projetos de consolidação de dados em larga escala exigem mais do que investimento em tecnologia; demandam redesenho de processos e superação de gargalos operacionais na transição. A unificação dos bancos de dados visa eliminar ilhas de informação entre a operação de campo e o corporativo. Com a casa arrumada e os dados centralizados, a infraestrutura passa a servir de fundação para os próximos passos tecnológicos da organização, incluindo a automação de processos de atendimento ao associado, integração de CRM e aplicação de algoritmos preditivos na gestão da cadeia de suprimentos e novas unidades industriais.







