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Inteligência artificial e análise de dados avançam na cadeia florestal para otimizar o uso da matéria-prima

Postado por Redação Agro Summit em 05/10/2026 em Notícias

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Plataformas de visão computacional e integração de dados começam a substituir controles manuais em pequenas e médias serrarias, reduzindo gargalos operacionais e otimizando a tomada de decisão no processamento da tora

Em operações de base florestal, a margem de eficiência de uma serraria está diretamente ligada à capacidade de aproveitamento de cada tora. À medida que o mercado passa a trabalhar com toras de menor diâmetro, o planejamento do corte torna-se estratégico para determinar a quantidade e o valor do produto final. No entanto, em diversas pequenas e médias empresas do setor, as informações de produção ainda permanecem fragmentadas em planilhas, anotações manuais e sistemas que não se comunicam.

A digitalização desse elo agroindustrial surge como um caminho para transformar os dados brutos em ferramentas de gestão. A partir de tecnologias como visão computacional e inteligência artificial, plataformas focadas na cadeia florestal buscam integrar o fluxo produtivo, desde o recebimento da matéria-prima do campo até a gestão de estoque no pátio.

 

Gestão do corte e eficiência operacional

Uma das principais dificuldades de gestão em uma linha de processamento é antecipar gargalos e padronizar as escolhas operacionais. A aplicação de câmeras aliadas a algoritmos de análise de imagem permite avaliar as características geométricas e físicas da madeira no momento em que ela entra na linha, orientando a decisão de corte mais rentável.

De acordo com Thiago Sampaio Röper, CTO da MindsGlobal, startup voltada à automação e gestão de dados no setor florestal nascida como spin-off da Mendes Máquinas, o uso de indicadores integrados minimiza a dependência de estimativas empíricas e acelera a curva de aprendizado da operação.

"V tínhamos muitos clientes com alta produção, com cerca de 4 mil a 5 mil toras por turno, mas que não conseguiam quantificar a operação com seus relatórios e planilhas manuais que não se convergiam", pontua Röper. "Uma implantação que poderia levar entre oito e dez meses passou a ter uma curva de adaptação significativamente menor."

Segundo o executivo, o tempo gasto em paradas e tomadas de decisão lentas afeta diretamente o resultado financeiro da empresa. "Um pacote de madeira representa até R$1.800,00 e leva em torno de 10 minutos para ser produzido, imagine o impacto de recuperar esses minutos todos os dias. O tempo que se ganha em uma tomada de decisão, parece pouco mas pode representar impacto direto na receita da operação", afirma.

 

Rastreabilidade e controle de estoque no pátio

Além do gargalo na linha de corte, a gestão do pátio e o tempo de estocagem representam outro desafio crítico na cadeia de suprimentos da madeira. Após o desdobro, os pacotes passam por períodos de secagem antes de seguir para a comercialização ou industrialização secundária. Sem o acompanhamento digital dos lotes, o controle de estoque perde visibilidade quanto à localização, tempo de permanência e volume disponível.

A integração de softwares de gestão em nuvem voltados ao agro possibilita monitorar esses lotes de forma contínua, conectando o estoque físico a uma base centralizada de informações estratégicas para a tomada de decisão comercial e logística.

"Madeira no pátio é dinheiro parado. Eficiência não está apenas na velocidade com que a madeira entra e sai da máquina, mas na capacidade de enxergar toda a cadeia interna da operação", resume Röper.

A disseminação dessas ferramentas no mercado reflete uma tendência de amadurecimento na cultura de dados do agronegócio florestal, estendendo a transformação digital para além das grandes corporações e alcançando negócios regionais que buscam sustentabilidade operacional e competitividade.

Postado por Redação Agro Summit em 05/10/2026 em Notícias