IA avança na gestão de frutas e verduras para reduzir perdas em supermercados
Postado por Redação em 29/05/2026 em NotíciasTecnologia aplicada à gestão de FLV ganha espaço no varejo alimentar com foco em reduzir desperdícios, evitar rupturas e melhorar a previsão de demanda

Marcos Pelrman, CEO da Aravita durante APAS Show 2026. Créditos: divulgação
O varejo brasileiro está diante de uma janela rara, aberta agora, para adotar tecnologia avançada em gestão de frutas, legumes, verduras e ovos sem repetir a curva de tentativa e erro vivenciada em outros mercados.
Para Marco Perlman, CEO e cofundador da Aravita, o Brasil está no momento certo para o uso da Inteligência Artificial na gestão de produtos frescos. “Quem dominar FLV com tecnologia nos próximos três anos vai estar muito à frente. É uma decisão que se toma agora, não daqui a duas APAS”, comenta durante painel da APAS Show 2026.
Para Perlman, a tecnologia para gestão de produtos frescos no varejo amadureceu globalmente a partir de 2023. Modelos de inteligência artificial que antes exigiam equipes próprias e infraestrutura dedicada passaram a rodar em arquitetura padrão de mercado, enquanto a interface de loja virou aplicativo de celular ou tablet com treinamento de poucos minutos. “Até 2020, IA específica para frescos era cara e exclusiva das maiores empresas de tecnologia do mundo. Hoje, redes regionais podem adotar a tecnologia direto pelo estado da arte”, explica.
O executivo defende que FLV exige tratamento radicalmente diferente das demais seções do supermercado. “Em uma categoria em que o item vive de dois a sete dias, a demanda muda com clima, dia da semana e promoção, e o consumidor substitui produtos com naturalidade dentro da própria seção, soluções genéricas de supply chain não funcionam”.
Outro ponto destacado por Marco é a qualidade do dado de estoque no varejo brasileiro de FLV. Notas chegam atrasadas, lotes inteiros são transformados em outros itens dentro da loja sem baixar o produto de origem e perdas não são lançadas no momento em que acontecem. “O problema não é o ERP, é o dado que o ERP tem”, resumiu. Segundo Perlman, IA específica para FLV começa a gerar valor justamente nesse ponto, corrigindo inconsistências de estoque que a operação não consegue manter limpas sozinha.
Os resultados observados em redes regionais do Sudeste e do Sul que adotaram tecnologias para suprimir esse gargalo incluem redução de quebra na casa de 25%, decréscimo de ruptura e ganho de margem pela diminuição de sobras de promoção que precisam ser liquidadas. “O desafio do FLV é reduzir perda sem reduzir venda. Fechar a torneira é fácil. O difícil é reduzir a quebra aumentando a disponibilidade”, diz.







