Estresse térmico na piscicultura: como a combinação de dados e nutrição de precisão apoia a gestão no verão
Postado por Redação Agro Summit em 19/10/2026 em NotíciasCom setor em expansão de 10,3% ao ano e 70% de representatividade na piscicultura, produtores de tilápia recorrem ao monitoramento de dados e à nutrição de precisão para mitigar perdas com o estresse térmico no verão.

Com a chegada das temperaturas mais altas, a criação de tilápias no Brasil entra em seu período mais crítico do ano. A oscilação na qualidade e na oxigenação da água impõe desafios diretos à produtividade e exige dos gestores aquícolas um planejamento preventivo baseado em monitoramento de variáveis e eficiência nutricional para mitigar perdas operacionais.
A tilápia responde por cerca de 70% de toda a produção nacional de pescado, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). No entanto, o aumento da temperatura reduz a retenção de oxigênio dissolvido na água, criando um ambiente favorável ao estresse ambiental, perda de apetite, suscetibilidade a patógenos e mortandade.
Para o gestor de uma propriedade ou complexo aquícola, o desafio reside em tomar decisões ágeis diante da variação simultânea de múltiplos parâmetros de cultivo.
“O consumo de tilápia têm crescido em uma média de 10,3% ao ano no Brasil, o que incentiva a expansão do cultivo. Sistemas aquícolas são altamente suscetíveis a fatores ambientais. É fundamental identificar os desafios locais, além de adotar estratégias preventivas, especialmente quando há perspectiva de condições climáticas extremos, como é o caso de anos sob efeitos do El Niño”, aponta Ricardo Garcia, Gerente de Produtos de Aquicultura da ADM.
Nutrição de precisão e mitigação de riscos operacionais
Do ponto de vista de gestão, a adaptação do manejo alimentar ao contexto ambiental é uma ferramenta crucial para proteger o capital investido na biomassa. A elevação da temperatura exige adequação no fornecimento de ração para evitar o acúmulo de matéria orgânica não consumida e o agravamento da baixa oxigenação.
A busca por manter a estabilidade produtiva mesmo em cenários de estresse motivou pesquisas voltadas ao suporte metabólico dos animais. Soluções nutricionais focadas em alta densidade e oscilação térmica buscam preservar a conversão alimentar e o ganho de biomassa em períodos em que a fisiologia do peixe estaria comprometida.
Entretanto, o uso dessas formulações precisa estar integrado a uma estratégia global de controle de processos na fazenda.
“Monitoramento da água, densidade de cultivo, sanidade e redução de manejos desnecessários são fatores que precisam ser avaliados em conjunto, principalmente nos períodos em que as condições ambientais aumentam a pressão sobre os animais”, explica Ricardo.
Pesquisa e desenvolvimento voltados à rotina produtiva
A consolidação de estratégias preditivas depende do avanço de pesquisas aplicadas às condições reais de campo. A ADM mantém em Aparecida do Taboado (MS) o Centro de Excelência e Inovação em Aquicultura, voltado ao teste e desenvolvimento de estratégias de manejo e nutrição para a atividade aquícola na América Latina.
A estrutura busca transformar dados científicos em ferramentas práticas para dar suporte à tomada de decisão dos piscicultores diante de intercorrências climáticas.
“A ideia é entender o impacto das tecnologias nutricionais em diferentes situações e apoiar os piscicultores com ferramentas e serviços técnicos que permitem manter a produtividade mesmo em condições adversas. Por meio de dados e evidências, é possível desenhar abordagens cada vez mais integradas para a atividade. Trabalhamos cada vez mais com o conceito de prevenção, especialmente no Brasil”, destaca Ricardo.







