Encontro destaca importância das startups para a inovação no agronegócio
Postado por Bianca Carvalho em 02/02/2026 em NotíciasStartups de base tecnológica ocupam um papel estratégico, em função da capacidade de testar soluções rapidamente
Foto: Sara Café
Na última quinta-feira (29/01), a Embrapa Agroindústria Tropical realizou a primeira edição de 2026 do encontro temático Café com Negócio, com o tema “Empreendedorismo de base tecnológica: startups inovadoras revitalizando o agronegócio”. O encontro compartilhou a experiência da Agência de Inovação da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (AgiUENF) e reuniu pesquisadores, analistas, técnicos e gestores da Unidade no debate sobre como a ciência pode avançar para além das pesquisas e oferecer inovações tecnológicas concretas para o setor agropecuário.
Gonçalo Apolinário de Souza Filho, Diretor da AgiUENF, apresentou a trajetória da Agência, destacando casos de sucesso ligados ao empreendedorismo científico, e contextualizou o estágio atual da inovação no Brasil. O País possui um enorme potencial inovador, mas ainda enfrenta desafios estruturais para transformar conhecimentos tecnológicos em soluções práticas. “A inovação no Brasil é um processo em expansão, capaz de gerar grandes mudanças para o desenvolvimento do país, principalmente para a qualidade de vida das pessoas”, avalia o palestrante.
O especialista explica que a pesquisa científica gera descobertas e artigos, enquanto a pesquisa tecnológica pode resultar em invenções passíveis de patenteamento. A inovação ocorre quando esse conhecimento se converte em produto ou serviço disponível para a sociedade, com validação de mercado, etapa ainda pouco explorada no ambiente acadêmico brasileiro. Essa lacuna ajuda a explicar por que menos de 2% dos doutorandos do país optam por abrir empresas. Para o professor, o dado revela um gargalo na formação científica, excessivamente orientada para a carreira acadêmica. “Se parte desses doutores tiver vocação para o empreendedorismo, essas empresas podem gerar emprego, absorver profissionais qualificados e levar soluções ao mercado”, avalia.
A AgiUENF tem como principais atribuições conectar a universidade a empresas e governo para transformar conhecimento em inovação, fomentar o empreendedorismo, gerenciar a política de inovação e atuar no desenvolvimento de talentos, parcerias e projetos no Norte Fluminense. A Agência atua na aproximação da pesquisa com o setor produtivo e na gestão e proteção de propriedade intelectual e transferência de tecnologias. Sua estrutura envolve o Parque Tecnológico Agropecuário da UENF (PARTEC), ambiente de inovação que apoia projetos, startups, incubadoras e aceleradoras para impulsionar a pesquisa aplicada e fomentar negócios sustentáveis que conectem produtores, empresas, universidades e investidores.
Inovação no agronegócio
Para Gonçalo, embora o agro brasileiro já alcance recordes de produção, a produtividade ainda pode avançar significativamente. A inovação é essencial para este setor. Novas tecnologias podem trazer ganhos simultâneos de produtividade e qualidade, além da redução de custos e impactos ambientais.
Nesse cenário, as startups de base tecnológica ocupam um papel estratégico, em função da capacidade de testar soluções rapidamente, considerada um diferencial dessas empresas. “As startups são formadas, em sua maioria, por jovens muito abertos à tecnologia e conectados com soluções globais. Elas testam, erram, ajustam e, quando funciona, escalam rapidamente. Essa dinâmica é fundamental em um contexto de grandes transformações, que exige ousadia e rapidez nas respostas aos desafios do setor”, ressalta o palestrante.
Durante sua explanação, Gonçalo também apresentou um panorama do ecossistema de startups agropecuárias no Brasil, que tem registrado crescimento nos últimos anos, com destaque para categorias como agfintechs, biotechs, climatetechs, marketplaces e soluções voltadas diretamente para a agricultura. Nesse contexto, o Nordeste desponta como uma região de crescente interesse de investidores, não apenas pelo avanço tecnológico, mas também pelas demandas ambientais e sociais alinhadas à agenda ESG. Além de mudar a vida do jovem empreendedor, essas soluções geram impacto real na vida das pessoas do entorno.
Instituições públicas e inovação
As instituições públicas de pesquisa, incluindo universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), desempenham papel crucial no desenvolvimento da inovação tecnológica ao atuar na geração de conhecimento científico, formação de recursos humanos qualificados e transferência de tecnologias para o setor produtivo. Elas atuam como intermediárias entre a pesquisa e o setor produtivo, transformando descobertas em tecnologias para o mercado. Entretanto, o processo de inovação ainda envolve inúmeros desafios.
Segundo Gonçalo, é necessário contar com ambientes tecnológicos estruturados para transformar ideias em produtos viáveis. Incubadoras, parques tecnológicos e hubs permitem que startups compartilhem estruturas jurídicas, administrativas, de gestão e formação, criando condições mais favoráveis para o amadurecimento e lançamento das soluções, forma eficiente.
“Nesse ambiente de inovação, parcerias estratégicas são cruciais uma vez que potencializam recursos, conhecimentos técnicos e de mercado, acelerando o desenvolvimento e reduzindo riscos e custos. Existe recurso e estímulo para a cooperação entre o setor produtivo já estruturado e as instituições públicas para desenvolver novas soluções tecnológicas. Esse caminho não é novo e tem tido muito apoio do governo”, pontua.








