El Niño muito forte e juros globais elevam riscos para safras no 4º trimestre; veja impactos na gestão agrícola
Postado por Redação Agro Summit em 09/10/2026 em NotíciasIntensificação do fenômeno exige planejamento rigoroso de plantio, uso estratégico de dados meteorológicos e reforço na gestão de risco e hedge para proteger as margens

O fortalecimento do fenômeno El Niño deve ampliar os riscos climáticos para as principais commodities agrícolas entre o quarto trimestre de 2026 e o início de 2027. De acordo com o relatório trimestral da consultoria Hedgepoint Global Markets, o fenômeno apresenta mais de 90% de probabilidade de atingir sua maior intensidade no período entre outubro de 2026 e janeiro de 2027. O cenário, combinado a um dólar firme e juros reais elevados no cenário internacional, impõe novos desafios de gestão fiscal, logística e manejo de risco para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.
No mercado agrícola, os efeitos do clima serão heterogêneos entre as regiões do país e exigirão estratégias diferenciadas de planejamento operacional para mitigar perdas e garantir a eficiência na colheita e no plantio.
Gestão de moagem e volatilidade de preços no açúcar e café
Para o setor sucroenergético, as chuvas intensas previstas para o Centro-Sul do Brasil durante o quarto trimestre podem afetar diretamente o ritmo de moagem da cana e a recuperação do Açúcar Total Recuperável (ATR). A redução na eficiência operacional da colheita tende a sustentar os preços do açúcar globalmente, especialmente em um momento de perdas produtivas na União Europeia, Tailândia e Índia.
No setor cafeeiro, o cenário combina a chegada da safra brasileira ao mercado com o monitoramento de temperaturas mais altas no país e clima seco no Sudeste Asiático e na Colômbia. A gestão de risco e o uso de ferramentas de hedge tornam-se centrais para proteger as margens dos produtores diante da volatilidade esperada nas cotações.
Janela de plantio e logística nos grãos
Nas culturas de soja e milho, o El Niño gera cenários opostos para a gestão das propriedades rurais brasileiras. Na Região Sul, a previsão de maiores volumes de precipitação pode favorecer o desenvolvimento das lavouras de soja e milho, embora exija atenção constante no manejo fitossanitário e na otimização da aplicação de insumos. Por outro lado, na Região Centro-Norte, a expectativa de menor umidade do solo impõe cautela no calendário de semeadura da safra de verão, exigindo do gestor agrícola o uso intensivo de dados meteorológicos para definir a melhor janela de plantio e otimizar a infraestrutura de irrigação.
Além das incertezas climáticas, o cenário macroeconômico global marcado por uma postura mais austera do Federal Reserve (Fed) e pelo fortalecimento do dólar tende a conter compras especulativas no mercado financeiro e pressionar a demanda por commodities ao longo do período.







