Digitalização no campo já reduz em 25% o uso de fertilizantes
Postado por Redação em 25/03/2026 em NotíciasAnálise da Softtek revela como dados em tempo real, sensores conectados e inteligência artificial estão impulsionando uma nova fase da transformação digital no agronegócio, com impactos tangíveis no campo

Segundo a Softtek, cinco tendências devem acelerar a transformação digital dos setores de recursos naturais nos próximos anos. Foto: divulgação
A digitalização das cadeias produtivas ligadas a recursos naturais deve ganhar ainda mais força nos próximos anos, impulsionando investimentos em tecnologia e inovação em setores como agronegócio, energia e mineração. Segundo análise da Softtek — multinacional do setor de TI, com operação na América Latina — a transformação digital passou a ocupar um papel central na estratégia dessas indústrias, que enfrentam desafios crescentes de produtividade, sustentabilidade e gestão de ativos complexos.
A adoção de tecnologias digitais já avança rapidamente no agronegócio brasileiro, como indica o levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que aponta que cerca de 84% dos produtores rurais do país já utilizam algum tipo de tecnologia digital em suas operações, incluindo sensores, softwares de gestão, agricultura de precisão e ferramentas de análise de dados. Esse número evidencia que a digitalização deixou de ser uma tendência futura e passou a ser uma prática consolidada em propriedades de diferentes portes.
O movimento acompanha a evolução da chamada Agricultura 4.0, baseada na integração de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA), monitoramento remoto e análise de big data para ampliar produtividade e sustentabilidade nas operações. Ao mesmo tempo, o avanço da infraestrutura digital no campo vem ampliando o uso de plataformas em nuvem e sensores conectados, permitindo que empresas integrem dados operacionais e tomem decisões em tempo real.
Para Marcos Brum, Vice-Presidente de Negócios e Tecnologia da Softtek Brasil, a digitalização dessas indústrias está diretamente ligada à necessidade de melhorar a eficiência operacional e a visibilidade sobre operações complexas. “A escala das operações em setores como agro, energia e mineração exige cada vez mais integração entre dados de campo, sistemas industriais e plataformas corporativas. A tecnologia permite transformar grandes volumes de informação em inteligência operacional, aumentando previsibilidade e eficiência nas cadeias produtivas”, afirma.
Tecnologia impulsiona produtividade e sustentabilidade
A transformação digital também está ligada à necessidade de aumentar produtividade sem ampliar significativamente o uso de recursos naturais. Segundo projeções internacionais da FAO, a produção global de alimentos precisará crescer cerca de 70% até 2050 para atender à demanda de uma população mundial em expansão, o que reforça a importância da inovação tecnológica no campo.
No Brasil, investimentos em agricultura digital têm crescido de forma consistente. Estimativas do BNDES indicam que os investimentos em tecnologias digitais aplicadas ao agronegócio vêm aumentando mais de 15% ao ano, impulsionados pela adoção de agricultura de precisão, monitoramento remoto e plataformas analíticas.
Esse avanço tecnológico também contribui para ganhos de eficiência e sustentabilidade. A adoção de técnicas digitais no campo já permite reduzir significativamente o uso de insumos e recursos naturais, com reduções de até 25% no uso de fertilizantes e cerca de 20% no consumo de água por hectare em algumas operações agrícolas.
Tendências digitais
Segundo a Softtek, cinco tendências devem acelerar a transformação digital dos setores de recursos naturais nos próximos anos:
? Inteligência operacional e IA: o uso de sensores e IoT para monitoramento de ativos e manutenção preditiva, evitando paradas não planejadas em infraestruturas críticas.
? Cadeias de suprimentos digitais: sistemas que garantem rastreabilidade total, transparência e controle rigoroso de custos.
? Gestão de sustentabilidade: plataformas dedicadas ao monitoramento de emissões de carbono e consumo energético.
? Modernização de plataformas: a migração para a nuvem e a adoção de ERPs de nova geração para unificar dados financeiros e operacionais.
? Cibersegurança Industrial: proteção robusta para infraestruturas que, ao se tornarem digitais, exigem novas camadas de defesa.
Nesse cenário, empresas de tecnologia vêm ampliando sua atuação junto a setores industriais intensivos em ativos físicos. Entre as demandas mais recorrentes estão projetos de modernização de sistemas corporativos, migração para ambientes em nuvem, desenvolvimento de aplicações baseadas em IA e iniciativas de cibersegurança voltadas à proteção de infraestruturas críticas.
“A expectativa é que, à medida que pressões por eficiência, sustentabilidade e governança aumentem, a digitalização deixe de ser um diferencial competitivo e passe a representar um requisito essencial para a operação dessas indústrias”, conclui Brum.







