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Das "Logtechs" às "Logfintechs": como o ecossistema de startups supre gargalos históricos da logística no agro

Postado por Redação Agro Summit em 30/10/2026 em Notícias

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Em meio aos gargalos de transporte e à burocracia na exportação, startups aceleram o uso de IA e incorporam soluções financeiras para otimizar o escoamento das safras brasileiras

 

A infraestrutura e a logística de transporte continuam sendo gargalos históricos e estruturais para o agronegócio brasileiro. No entanto, para contornar a burocracia do fluxo de exportação e a ineficiência das rotas, o ecossistema de inovação tem se moldado de maneira ágil. Uma das principais transformações observadas no setor é a evolução das logtechs (startups de logística), que passaram a incorporar serviços financeiros e ecossistemas integrados para cobrir lacunas no transporte de safras.

A constatação foi debatida por Dirceu Ferreira Junior e Mayra Theis, sócios da PwC Brasil, durante evento da PwC AgTech Innovation. De acordo com Mayra Theis, a burocracia e a complexidade do modelo brasileiro exigem ferramentas que garantam eficiência e visibilidade de ponta a ponta na cadeia.

"Como a gente tem muito produto destinado à exportação, ou seja, nasce no campo, passa por caminhão, passa por ferroviário, passa por hidroviário, transborda, vai para o porto, carrega graneleiro para poder ser exportado, tudo isso dentro de um país com uma burocracia muito estabilizada, que é o modelo que a gente tem aqui, isso traz muita complexidade, não só operacional, mas também do cuidado da carga", explicou Mayra.

 

Inteligência Artificial e rastreabilidade nas rotas

Para superar esses obstáculos operacionais, soluções baseadas em inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) têm sido aplicadas diretamente no rastreio e no planejamento de modais. Entre as tecnologias já consolidadas no setor estão os sistemas de roteirização para transbordo reverso quando o veículo desce até os portos carregado de grãos e retorna ao interior transportando insumos e fertilizantes.

"Tecnologia, por exemplo, tem ajudado bastante na questão de rastreabilidade da carga para permitir que elas entrem em regimes específicos de exportação, para ela ter trânsito livre, isso facilita demais o tempo de embarque", destacou a sócia da PwC Brasil. "A gente já tem muitas tecnologias de inteligência artificial para poder fazer transbordo reverso, de carga com fertilizantes, então isso é criado há muito tempo, não é nada novo, desce com grão, sobe com fertilizante."

 

A virada de chave: do frete aos serviços financeiros

A ineficiência do cenário logístico nacional acabou abrindo espaço para um novo modelo de negócios. Para garantir que o transporte ocorra na ponta sem interrupções, startups que antes atuavam de forma isolada na gestão de fretes expandiram suas atuações para atender postos de combustíveis, portos e motoristas autônomos.

"Isso surge de uma ineficiência, vamos falar assim, instalada no país, mas que gera uma oportunidade, então a startup olha e fala, poxa, eu consigo cobrir esse gap e aí as coisas vão mudando", observou Dirceu Ferreira Junior, ao comentar sobre a migração de logtechs para logfintechs.

Exemplo dessa integração na prática é o surgimento de aplicativos no estilo "Uber da logística", capazes de aproximar e captar motoristas autônomos para atender às demandas de frete no momento em que a safra necessita de escoamento.

 

Iniciativa privada e visões de longo prazo

Apesar dos avanços tecnológicos impulsionados pelas startups, os executivos enfatizam que a inovação privada não substitui a necessidade de políticas públicas estruturadas para o setor. Para o sócio da PwC Brasil, a resolução dos problemas de transporte e conectividade depende de planos de Estado e parcerias plurianuais, e não apenas de trocas de gestão governamental.

"O governo tem que ser parte de um projeto maior e sim, concordo com a Mayra, você tem que ter planos plurianuais, você tem que ter plano de estado e não planos de quatro em quatro anos, que é o que afeta o Brasil hoje em dia", afirmou Dirceu. "Afinal de contas o nosso modal inteiro, ele é um modal que foi muito mal construído, a gente poderia ter centenas de quilômetros ou milhares de quilômetros de ferrovias, nós não temos, a gente poderia usar melhor as hidrovias, já que o curso dos nossos rios permitem isso, a gente não tem isso."

O executivo pontuou que, enquanto o país busca equilibrar investimentos públicos e privados em portos, aeroportos e ferrovias, a tecnologia segue funcionando como o principal motor de viabilidade para quem produz.

"Quando a gente olha para o agro, é aí que a gente fala que o produtor ou quem está na atividade é um verdadeiro herói", concluiu Ferreira Junior.

Postado por Redação Agro Summit em 30/10/2026 em Notícias