Como a inteligência de dados na logística quer zerar os "caminhões vazios" no agronegócio
Postado por Redação Agro Summit em 08/09/2026 em NotíciasCom plataformas integradas, o transporte de safra e insumos passa a operar em rede viva para eliminar o gargalo de 40% das viagens de retorno sem carga no Brasil

No transporte rodoviário de cargas no Brasil, um fantasma antigo assombra a eficiência das operações: cerca de 40% dos caminhões que rodam pelo país voltam vazios após entregarem suas cargas. No agronegócio, onde a margem de lucro frequentemente depende da eficiência do frete e da pontualidade da entrega, esse desperdício representa custos elevados para produtores, tradings e transportadoras.
Para combater essa ineficiência histórica, a gestão logística do setor está migrando de softwares isolados para plataformas integradas em rede. A aposta da nstech, empresa de tecnologia que atende gigantes como Amaggi, JBS e as tradings do ABCD (ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus), é o conceito de Transportation Network System (TNS) uma arquitetura digital que conecta embarcadores, motoristas, gerenciadoras de risco e terminais no mesmo ecossistema.
Do frete de retorno à fila virtual no pátio
A chave para transformar a logística de grãos e insumos está na interoperabilidade dos dados. Em vez de utilizar apenas o sistema interno para organizar a frota (o tradicional TMS), a nova camada de inteligência faz o cruzamento de informações entre diferentes empresas do mercado.
Ferramentas de pareamento inteligente identificam a localização atual e futura dos veículos. Se um caminhão descarrega grãos em um porto, o sistema localiza automaticamente cargas de fertilizantes ou insumos que precisam fazer o trajeto inverso, reduzindo o custo do trecho e aumentando a disponibilidade de capacidade rodoviária.
A tecnologia permite criar filas virtuais para o descarregamento de safra. No terminal de Rondonópolis (MT), por exemplo, os motoristas acompanham a posição no fluxo de carregamento pelo aplicativo e se deslocam apenas no horário previsto, reduzindo filas físicas e o tempo ocioso nos pátios.
Na agroindústria de produtos perecíveis (como carnes e laticínios), sensores integrados ao software monitoram localizações e flutuações de temperatura em tempo real para evitar perdas de carga.
A transformação digital na ponta da cadeia
A consolidação de dados de transporte do campo ao porto mostra que a digitalização deixou de ser um diferencial de grandes corporações para se tornar pré-requisito de sustentabilidade financeira. Com o agronegócio representando cerca de 30% da receita da nstech, impulsionado pelo atendimento a mais de 2 mil transportadoras e operações nos portos de Santos e Paranaguá, o movimento sinaliza um caminho claro para o setor: a tecnologia só gera eficiência real quando une todos os elos da cadeia produtiva.






