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Com safra paulista comprometida, gestão de suprimentos e importação de trigo viram prioridade na cadeia

Postado por Redação Agro Summit em 03/11/2026 em Notícias

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Escassez do grão Tipo 1 em São Paulo exige alinhamento rígido entre produtores e moagens para mitigar prejuízos e responder à volatilidade do mercado internacional

 

A forte retração na safra de trigo de São Paulo, provocada pelo excesso de precipitação no período de colheita, impõe um severo teste de eficiência e resiliência financeira para os produtores rurais e para a indústria moageira. Com estimativas de que o volume colhido não atinja 20% das 350 mil toneladas projetadas inicialmente, a crise acende um alerta sobre a vulnerabilidade do planejamento operacional no campo e reforça a necessidade de um alinhamento estratégico mais rígido entre a oferta agrícola e a demanda industrial.

Além do impacto direto no volume, o comprometimento da qualidade do grão transforma a gestão do suprimento em um desafio complexo. Com apenas 10% a 15% do volume estimado dentro do padrão de classificação Tipo 1, a indústria e as propriedades rurais enfrentam o desafio de administrar a ociosidade, reavaliar contratos e estruturar novas margens financeiras para absorver a alta dos custos em um cenário econômico que pode se estender desfavorável até 2028.

Diante do agravamento das perdas, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) reforça a importância de estreitar a integração entre a produção e as moagens para preservar a competitividade da cadeia estadual. Ruy Zanardi, presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, analisa a gravidade do cenário:

“A previsão de que a safra não seria boa, feita na última reunião da Câmara, se confirmou. Mas, pelos relatos que ouvimos aqui, a situação se agravou e foi pior do que o esperado. A expectativa era colher cerca de 350 mil toneladas, mas não chegaremos nem a 20% desse volume.”

As adversidades climáticas na fase final de campo acentuaram o risco de caixa dos produtores, exigindo uma reestruturação imediata no controle de passivos e na busca por ferramentas de mitigação de prejuízos, incluindo o acompanhamento de medidas institucionais e de crédito. O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, destaca que a superação da crise exigirá uma visão de longo prazo no gerenciamento de negócios:

“O caminho daqui para frente será difícil. Ainda enfrentaremos desafios nesta safra de 2026/2027, em um cenário econômico que pode continuar complicado em 2027 e até 2028. Precisamos fortalecer a aproximação entre a produção agrícola e a indústria moageira.”

Na outra ponta da cadeia, a gestão de suprimentos e logística precisa se adequar rapidamente às oscilações do mercado externo e do câmbio. Análises da StoneX indicam que, enquanto a oferta mundial de trigo está estimada em 882 milhões de toneladas para um consumo de 824 milhões de toneladas, o Brasil terá que recorrer a uma elevação no volume de importações para suprir a quebra local. Fabio Cruz, especialista da StoneX, contextualiza o ambiente internacional e os fatores de atenção para o planejamento de compras:

“No mercado internacional, as perspectivas para Rússia e Ucrânia, assim como o ritmo das exportações norte-americanas, permanecem entre os fatores de atenção. A expectativa de recuperação dos embarques russos e ucranianos influencia as cotações, enquanto o ritmo mais lento das exportações dos Estados Unidos exerce pressão sobre os preços.”

A capacidade da triticultura paulista de absorver esse choque dependerá da disciplina na gestão de dados climáticos, do monitoramento contínuo das cotações internacionais e do fortalecimento das estratégias conjuntas de comercialização entre produtores, cooperativas e a indústria moageira.

Postado por Redação Agro Summit em 03/11/2026 em Notícias