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Avanço da agricultura digital no Brasil exige superar gargalos de conectividade e governança de dados

Postado por

Camila Quirino

em 04/09/2026 em Notícias

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Especialistas da Embrapa e IICA apontam que o avanço da inteligência artificial, visão computacional e IoT no campo depende de infraestrutura sólida e soluções adaptadas à realidade local.

A transformação digital no agronegócio brasileiro avança em ritmo acelerado, impulsionada por inteligência artificial, visão computacional e monitoramento via Internet das Coisas (IoT). No entanto, a capacidade de converter esse volume massivo de inovação em ganhos reais de eficiência e produtividade na ponta final ainda enfrenta gargalos estruturais: conectividade limitada, baixa interoperabilidade entre sistemas e a necessidade de uma governança de dados mais robusta.

O diagnóstico pautou as discussões em evento realizado na sede da Embrapa Agricultura Digital, em Campinas (SP), em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). O encontro reuniu lideranças da pesquisa, startups e setor privado para debater como escalar ecossistemas digitais e tornar a tecnologia acessível a diferentes perfis de produtores.

 

Das promessas às decisões no campo

Se nos últimos anos o debate sobre o agro 4.0 esteve concentrado no surgimento de novas ferramentas, a prioridade atual migrou para a integração de dados e a aplicabilidade prática. Aplicações de IA generativa voltadas para o acesso ao conhecimento técnico, visão computacional aplicada ao diagnóstico precoce de doenças e algoritmos de previsão de produtividade já são realidade, mas dependem de redes de dados estruturadas para gerar valor.

“A agricultura digital abre uma oportunidade importante para aproximarmos ainda mais ciência, inovação e as necessidades concretas dos territórios. O desafio é fazer com que tecnologias, dados e conhecimento se convertam em melhores decisões e em benefícios acessíveis”, destacou Gabriel Delgado, Representante do IICA no Brasil e Coordenador da Região Sul.

A maturidade do ecossistema brasileiro de agtechs e soluções institucionais ficou evidente na demonstração de ferramentas já integradas ao mercado. Plataformas de APIs agrícolas (como a AgroAPI), soluções de rastreabilidade (Embrapa Trace) e ambientes de aceleração de inovação aberta (como o AgNest e o ecossistema Semear Digital) exemplificam como a arquitetura de dados aberta pode integrar sistemas de gestão agrícola, cooperativas e indústrias.

 

Cibersegurança e governança em pauta

Além da infraestrutura de telecomunicações, ainda um dos principais entraves para a automação total de máquinas e sensores IoT em áreas remotas , os painéis de debate alertaram para a urgência da segurança cibernética e da governança de dados nas propriedades rurais. Com a digitalização crescente dos processos financeiros, fiscais e operacionais das fazendas, a proteção de dados estratégicos passa a ser elemento central na gestão de riscos do negócio agrícola.

O alinhamento promovido em Campinas serve também como preparação para a quinta edição da Semana da Agricultura Digital, que será realizada pelo IICA na Costa Rica, onde o modelo brasileiro de integração entre pesquisa pública e agtechs será apresentado como referência para outros países da América Latina.

Postado por

Camila Quirino

em 04/09/2026 em Notícias