Por que o agronegócio deve parar de customizar a gestão e conectar sistemas a ele para otimizar a produção
Postado por Tadeu Barbosa, head de novos negócios e inovação da CBDS em 08/05/2026 em Artigos
Tadeu Barbosa, head de novos negócios e inovação da CBDS. Créditos: divulgação.
O agronegócio brasileiro construiu uma base tecnológica consistente ao longo das últimas duas décadas. Nesse período, os sistemas de gestão empresarial, como o SAP, passaram a estruturar finanças, contratos, compras e logística com alto nível de controle e previsibilidade.
Essa é uma base que continua sendo indispensável.
Porém, os primeiros sinais de descompasso começam a aparecer quando a operação exige um nível de detalhamento que vai além do papel para o qual esses sistemas foram concebidos.
Há um conjunto de demandas que avançou em velocidade maior do que a evolução dos próprios sistemas: rastreabilidade por área, controle por talhão (unidade mínima de cultivo), integração com máquinas agrícolas, gestão por safra e variedade, compliance com certificações internacionais.
O ambiente de dados reflete essa mudança. A IDC projeta crescimento acelerado na geração de dados em operações físicas e distribuídas, impulsionado por sensores, telemetria e integração de equipamentos. Ainda assim, o Gartner estima que até 73% desses dados não são utilizados de forma efetiva em processos de decisão.
A distância aparece na prática operacional. A empresa amplia sua capacidade de capturar informação, mas encontra dificuldade em transformar esse volume em decisões rápidas e aderentes ao campo.
A reação mais comum tem sido expandir os próprios sistemas de gestão empresarial, incorporando regras, exceções e particularidades do negócio. E o efeito tende a ser progressivo.
Cada customização resolve um ponto específico, mas amplia a complexidade do ambiente, pois:
-
as atualizações passam a exigir mais tempo e esforço.
-
a área de tecnologia direciona cada vez mais energia para sustentar o que já foi construído, com menor espaço para evoluir.
No agronegócio, onde as decisões precisam acompanhar o ritmo da safra, da logística e das exigências de mercado, esse tipo de limitação passa a impactar diretamente produtividade e margem.
O ponto central não está no sistema, mas na forma como ele vem sendo utilizado.
Isso porque os sistemas de gestão empresarial cumprem bem o papel de registro, consolidação e governança, mas, quando passam a concentrar processos altamente específicos que necessitam constantemente de adaptação, a estrutura começa a perder eficiência.
As operações mais maduras já começam a reorganizar esse modelo e o SAP permanece como núcleo transacional. A lógica do negócio, especialmente aquela que exige granularidade e adaptação contínua, passa a ser tratada fora dele, em sistemas conectados que refletem a realidade do campo.
Na prática, a tecnologia recupera capacidade de evolução, pois:
-
a complexidade deixa de ser acumulada no lugar errado;
-
o sistema de gestão empresarial recebe o dado consolidado;
-
e, consequentemente, a operação ganha aderência.
Como o agronegócio brasileiro já demonstrou a capacidade de escalar produção com eficiência, o desafio é outro: sustentar a complexidade crescente sem comprometer a base que viabiliza o negócio.







