Encontre aqui seu Software

Busca simples


Busca Avançada

Estudo apoiado pela Fapesp aponta gargalos de dados e conectividade na rastreabilidade do leite

Postado por Redação Agro Summit em 06/11/2026 em Notícias

Compartilhar:

Pesquisa desenvolvida no projeto Semear Digital mostra como IoT, blockchain e IA podem otimizar a gestão da cadeia leiteira, mas alerta para os custos e a falta de integração entre sistemas no Brasil

 

A adoção de tecnologias digitais de rastreabilidade desponta como uma exigência central para a segurança alimentar, a conformidade sanitária e a eficiência na cadeia produtiva do leite. No entanto, entraves técnicos e econômicos como a limitação de conectividade no ambiente rural e a falta de integração entre diferentes softwares ainda barram a massificação dessas soluções no Brasil, sobretudo entre pequenos e médios produtores.

A avaliação integra um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), no âmbito do projeto Semear Digital, publicado na revista científica ReGeo. A partir da análise de 32 artigos científicos internacionais, o levantamento mapeou como ferramentas como Internet das Coisas (IoT), blockchain, inteligência artificial (IA) e identificação por radiofrequência (RFID) atuam para monitorar e compartilhar dados em tempo real ao longo de todas as etapas de produção e transporte.

Do ponto de vista da gestão agrícola e industrial, o controle automatizado substitui registros manuais por fluxos de dados contínuos. A IoT, por exemplo, permite o monitoramento térmico rigoroso do leite em tanques e caminhões de transporte, fator crítico para mitigar perdas em um produto de alta deterioração. Paralelamente, sistemas baseados em blockchain garantem a imutabilidade dos registros compartilhados entre produtores, cooperativas e laticínios, simplificando processos de auditoria e certificação de origem.

“O leite é um produto altamente perecível, e isso torna a rastreabilidade especialmente importante. É necessário acompanhar as condições de produção, armazenamento e transporte para garantir a qualidade e a segurança do alimento”, explica Fernanda Maciel, doutoranda em Administração pela FAPESP e autora do estudo.

A implantação dessas plataformas reflete diretamente nas estratégias de negócios do agronegócio. A demanda do consumidor final por transparência em relação à origem, ao bem-estar animal e a práticas livres de desmatamento transforma a informação auditável em diferencial competitivo. Segundo a pesquisadora, além das exigências sanitárias e regulatórias, a rastreabilidade atende a um mercado comprador cada vez mais rigoroso. “Para o produtor, a rastreabilidade também pode representar um diferencial competitivo, agregando valor ao produto e facilitando o acesso a mercados mais exigentes”, destaca Fernanda Maciel.

Apesar dos benefícios operacionais, a consolidação da rastreabilidade digital enfrenta o gargalo da interoperabilidade a capacidade de diferentes sistemas e plataformas computacionais trocarem informações de maneira fluida. Em uma cadeia descentralizada que reúne desde a propriedade rural até grandes indústrias e órgãos fiscalizadores, o desencontro de padrões de dados compromete a visão global da operação.

A esse cenário somam-se os elevados custos de aquisição e manutenção de infraestrutura tecnológica, além da reduzida cobertura de internet no campo. “A rastreabilidade é importante para pequenos, médios e grandes produtores. O desafio é pensar em como essas tecnologias podem chegar a todos eles, considerando as diferentes condições de produção e de acesso aos recursos digitais”, reforça a autora do levantamento.

Outro ponto crítico identificado na pesquisa é a escassez de dados aplicados à realidade brasileira. Nenhum dos 32 trabalhos científicos analisados enfocou os modelos produtivos nacionais, marcados por grande heterogeneidade estrutural. A lacuna aponta para a necessidade de estudos econômicos que mensurem com precisão o retorno sobre o investimento (ROI) da digitalização e a viabilidade de arranjos tecnológicos inclusivos para a cadeia do leite no país.

Postado por Redação Agro Summit em 06/11/2026 em Notícias