Acordo Mercosul-UE entra em vigor e pressiona agro e indústria por rastreabilidade e eficiência
Postado por Redação em 08/04/2026 em MercadoEmpresas brasileiras precisam revisar margens, processos e dados para atender exigências europeias e manter competitividade no comércio internacional
Fábio Edelberg, CEO da Navecon. Créditos: divulgação
A entrada em vigor da aplicação provisória do acordo Mercosul-União Europeia, confirmada para 1º de maio de 2026 após promulgação no Congresso no dia 17 de março, inaugura um novo cenário competitivo para empresas brasileiras, especialmente no agronegócio e na indústria de base. O acordo prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE, acelerando a abertura comercial e pressionando organizações a revisarem suas estruturas de custo e eficiência operacional.
Nesse contexto, cresce a necessidade de readequação de margens e maior controle sobre a cadeia produtiva, impulsionando a busca por inteligência tributária, auditoria e, principalmente, integração de dados entre áreas fiscais, operacionais e logísticas. A adaptação não ocorre de forma gradual, a aplicação provisória ativa imediatamente cláusulas comerciais e aduaneiras, encurtando o tempo de resposta das empresas antes da ratificação completa do tratado na Europa.
“O novo tratado prevê que o bloco sul-americano zere tarifas sobre 91% dos bens europeus de forma gradual. A regra de aplicação provisória aciona as cláusulas comerciais e aduaneiras imediatamente, encurtando o prazo de adaptação do mercado antes da ratificação final por todos os parlamentos europeus. Empresas que não adotarem boas práticas internacionais de certificação de origem e não rastrearem a procedência dos insumos poderão sofrer com bloqueios contratuais a partir deste semestre”, explica Fábio Edelberg, CEO da Navecon, empresa de gestão e inteligência contábil.
A isenção progressiva de tarifas, porém, vem acompanhada do "princípio da condicionalidade". O acesso ao mercado europeu torna-se dependente da adequação a mecanismos como: o CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira), o EUDR (Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento) e a CS3D (Diretiva de Diligência Devida em Sustentabilidade Corporativa).
Isso eleva o nível de exigência sobre a rastreabilidade das cadeias produtivas, incluindo o monitoramento de emissões de gases de efeito estufa, certificação de origem e até a geolocalização de matérias-primas. Para o agronegócio, o impacto é direto, aumenta a complexidade da gestão e a necessidade de maior transparência ponta a ponta na cadeia produtiva.
“Em 1º de maio, a ineficiência operacional da indústria nacional correrá o risco de ser precificada pela isenção europeia [...] É fundamental limpar o balanço agora, caso contrário, poderá operar no vermelho a partir do segundo semestre”, afirma o executivo.
Empresas que não estruturarem seus dados e processos correm o risco de enfrentar barreiras comerciais no curto prazo. Por outro lado, organizações que investirem em governança, digitalização e sistemas integrados de gestão tendem a ganhar competitividade, tanto na adequação regulatória quanto na captura de oportunidades em um mercado mais aberto.







