O impacto da Reforma Tributária no cadastro de fornecedores do agronegócio
Postado por Caciporé Valente, CEO da Netrin em 25/11/2025 em ArtigosAutor fala sobre o impacto da reforma tributária no cadastro, na regularidade fiscal e no monitoramento de fornecedores no agronegócio
Caciporé Valente, CEO da Netrin
A reforma tributária brasileira inaugura uma nova era de exigências para as empresas, e poucas áreas serão tão impactadas quanto o cadastro e o monitoramento de fornecedores, especialmente no agronegócio, onde grandes indústrias dependem de dezenas ou centenas de pequenos produtores.
Crédito tributário agora depende da regularidade fiscal do produtor
Com a introdução do IBS e CBS, cada compra de insumos ou produtos agropecuários passa a estar amarrada a validações cadastrais rigorosas. Hoje, muitas indústrias assumem que basta receber a nota fiscal; amanhã, o crédito do imposto só será consolidado se o produtor recolher corretamente o tributo.
No agronegócio, isso significa que as indústrias passam a depender da regularidade fiscal de terceiros, que muitas vezes são pequenos produtores familiares. Uma situação comum: um produtor herda o negócio do pai e nunca atualiza sua Inscrição Estadual (IE). O CPF do falecido pode continuar vinculado ao cadastro, e a IE fica desatualizada. Comprar desse fornecedor sem checar a situação pode gerar glosas, rejeição de notas e risco fiscal.
Hoje, 77% das empresas já sofrem com inconsistências cadastrais de parceiros. No agronegócio, esse número tende a ser ainda maior, justamente por causa das peculiaridades da produção familiar, sucessão de negócios e informalidade em alguns processos administrativos.
Cadastro de fornecedores: de burocracia a ativo estratégico
Informações que antes eram consideradas administrativas, como endereço, CNAE, enquadramento fiscal e regularidade da IE, agora impactam diretamente a apuração do IBS e da CBS. No agronegócio, isso inclui dados críticos de produtores: tamanho da propriedade, CNPJ/CPF vinculado à IE, histórico de vendas e certificações fiscais.
No cenário atual, 41% das indústrias ainda usam planilhas e processos manuais para monitorar pequenos fornecedores. Isso consome em média 37 horas por semana, quase uma semana inteira dedicada apenas à verificação de regularidade fiscal.
Ou seja: além de arriscado, o processo é caro, lento e sujeito a falhas, especialmente quando se trabalha com centenas de pequenos produtores.
ERPs sozinhos não resolvem
A maior parte dos ERPs ainda está se adequando para atender a todos os critérios e campos necessários para emitir e receber notas a partir de 2026.
No entanto, essas alterações ainda não contemplam o monitoramento e a atualização de dados mestres de parceiros, como dados cadastrais, mudanças de CNAE, alterações de endereço, certidões fiscais e desenquadramento de regime tributário.
No agronegócio, isso é crítico: produtores podem mudar de município, abrir novas filiais ou transferir a propriedade do negócio sem atualizar a IE. Se o ERP não detectar essas mudanças, a indústria só descobrirá quando já houver problemas fiscais ou perdas de crédito.4
Governança e monitoramento contínuo: essenciais no agronegócio
O cenário exige três pilares estratégicos:
Governança de dados: processos claros de onboarding de produtores, padronização de informações e definição de responsabilidades sobre quem cuida do cadastro.
Automação do monitoramento: ferramentas que acompanhem alterações de produtores, atualizações de bases oficiais, mudanças de regime tributário e variações de regularidade da IE, tudo em tempo real.
Integração com ERPs e sistemas de gestão: plataformas integradas garantem que o cadastro seja atualizado de forma confiável, contínua e auditável, reduzindo retrabalho e inconsistências.
Indústrias que adotarem esse modelo reduzem risco fiscal, otimizam gestão financeira, aumentam o aproveitamento de créditos e ganham agilidade na tomada de decisão.
O produtor agora está no centro da estratégia fiscal
A reforma tributária muda a lógica: não basta mais gerir a operação; é preciso gerir com inteligência quem compõe a cadeia de valor. O cadastro de produtores deixa de ser burocracia e passa a ser vantagem competitiva.
No agronegócio, em que inconsistências cadastrais são ainda mais frequentes e a sucessão familiar pode gerar IE irregular, a capacidade de estruturar dados e monitorar fornecedores determinará quais indústrias atravessarão a transição tributária com segurança e quais enfrentarão glosas, atrasos e custos desnecessários.
A oportunidade está na mesa: quem elevar a maturidade do cadastro de fornecedores agora estará preparado para a nova arquitetura tributária do país.









