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Produção recorde de leite pressiona cadeia e acelera digitalização da distribuição

Postado por Redação em 29/05/2026 em Notícias

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Alta na oferta e mudanças no consumo impulsionam modelos de entrega recorrente, enquanto plataformas digitais ampliam eficiência e reduzem desperdícios

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Einat Eisler Carasso, CEO da Food2C. Créditos: divulgação

O Brasil vive um novo ciclo de expansão na produção de leite, mas o avanço também evidencia gargalos históricos da cadeia. Dados do IBGE mostram que a aquisição de leite cru no país atingiu 27,51 bilhões de litros em 2025, alta de 8,5% em relação ao ano anterior e maior volume da série histórica. Apenas no quarto trimestre, foram captados 7,36 bilhões de litros, também recorde, com crescimento de 8,6% na comparação anual.

O aumento da oferta reforça o potencial do setor, mas também amplia um desafio central: garantir que esse volume chegue ao consumidor com eficiência, qualidade e menor desperdício. Altamente perecível, o leite depende de uma cadeia logística precisa, em que qualquer descompasso entre produção e consumo pode gerar perdas, seja por falta de produto em momentos de alta demanda ou pelo descarte decorrente do excesso de oferta.

Ao mesmo tempo, mudanças no comportamento do consumidor vêm impulsionando formatos mais diretos de distribuição. A busca por alimentos mais frescos e naturais tem ampliado o interesse pela entrega domiciliar. O estudo “Do prato ao copo”, da MindMiners, mostra que 33% dos brasileiros afirmam consumir mais alimentos naturais ou in natura, enquanto 53% alternam entre produtos naturais e industrializados. Entre as bebidas não alcoólicas, 38% dizem priorizar opções naturais.

Nesse contexto, um modelo tradicional volta a ganhar espaço: o leite entregue na porta de casa.

Um modelo antigo que ressurge com nova lógica

Durante décadas, a entrega domiciliar de leite foi sustentada por relações recorrentes entre distribuidores e consumidores, com rotas fixas e pedidos previsíveis. Apesar da simplicidade, o modelo sempre foi eficiente, mas limitado em escala e controle.

“Não se trata de reinventar a distribuição de alimentos, mas de estruturar melhor algo que já funcionava. A digitalização permite trazer previsibilidade e controle para uma operação que antes dependia de processos manuais”, afirma a CEO da Food2C, Einat Eisler Carasso.

Segundo a executiva, o avanço de plataformas digitais voltadas ao setor de alimentos frescos tem permitido integrar pedidos, pagamentos e logística em um único sistema, conectando indústria, distribuidores e consumidores.

“Quando você passa a operar com dados, você reduz ineficiências históricas. Isso é fundamental em uma cadeia como a de lácteos, em que margem e perecibilidade caminham juntas”, diz.

Um dos principais ganhos dessa digitalização está na previsibilidade de demanda. Modelos de compra recorrente ou por assinatura, em que o cliente programa entregas com frequência definida, vêm ganhando espaço por reduzir incertezas e facilitar o planejamento da cadeia.

Na prática, isso permite que as empresas produzam com maior precisão, reduzam desperdícios, melhorem o abastecimento e aumentem a fidelização do cliente.

“A recorrência muda completamente o jogo. Quando você sabe o que será consumido, consegue ajustar toda a operação, da produção à entrega, com muito mais eficiência e agilidade. Essa previsibilidade também impacta diretamente a experiência do consumidor, que passa a receber produtos sempre mais frescos e com maior regularidade. Além disso, há a segurança de saber que os itens da marca escolhida estarão disponíveis em casa, sem risco de faltar no dia a dia”, afirma Einat.

Do papel ao digital: quando a transformação acontece na prática

Esse movimento já começa a ser incorporado por empresas tradicionais do setor. Um exemplo é a Fazenda Bela Vista, que há mais de três décadas atua com entrega domiciliar de leite e produtos frescos. Até recentemente, toda a operação era gerida de forma tradicional, com pedidos em sistemas não integrados.

A digitalização desse sistema não alterou a essência do modelo, mas transformou sua execução. Com a adoção de uma plataforma digital, a operação passou a ter maior integração e visibilidade, ampliando o controle e a capacidade de planejamento.

“A entrega domiciliar sempre foi parte da nossa história, mas a digitalização trouxe um novo patamar de organização e eficiência. Hoje conseguimos operar com muito mais controle sem perder a proximidade com o cliente. Agora, conseguimos integrar dados, melhorar o planejamento e oferecer uma experiência mais consistente para o consumidor”, explica o diretor comercial da Fazenda Bela Vista, Paulo Passarini.

Além de organizar processos, a digitalização também ajuda a resolver um dos principais gargalos da cadeia de lácteos: a falta de visibilidade sobre o consumidor final.

“Com dados centralizados, empresas passam a entender melhor padrões de consumo, ajustar ofertas e atuar de forma mais estratégica, algo que antes ficava diluído entre diferentes intermediários”, pontua Einat.

No caso das operações de entrega domiciliar, isso também se traduz em ganhos logísticos. “Sistemas digitais conseguem organizar automaticamente pedidos, prever demandas e estruturar rotas, reduzindo erros e otimizando recursos”, completa a CEO da Food2C.

Uma tendência que acompanha o crescimento do setor

Com a produção de leite em alta e a demanda por alimentos frescos em expansão, a digitalização tende a ganhar espaço na cadeia de lácteos. Mais do que criar novos modelos, a tecnologia vem permitindo que formatos tradicionais de distribuição operem com maior eficiência, previsibilidade e escala.

“Existe uma oportunidade enorme de modernizar a distribuição de alimentos no Brasil sem necessariamente romper com o que já existe. A tecnologia entra justamente para conectar essas pontas e tornar a operação mais inteligente”, finaliza Einat.

Postado por Redação em 29/05/2026 em Notícias