Conectividade rural avança como prioridade global e coloca Brasil no centro da transformação digital do agro
Postado por Redação em 13/05/2026 em DestaqueCom participação da ConectarAGRO, acordo entre Banco Mundial e IICA prevê US$ 3 bilhões para ampliar a conectividade no campo na América Latina e Caribe

Créditos: divulgação
A conectividade rural ganha cada vez mais protagonismo nas discussões sobre o futuro do agronegócio global, e o Brasil desponta como um dos principais mercados estratégicos nesse avanço. A ConectarAGRO tem ampliado sua atuação em defesa da inclusão digital no campo e participou diretamente das articulações que resultaram em um acordo firmado recentemente, em Washington, entre o Banco Mundial e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). A parceria prevê a mobilização de cerca de US$ 3 bilhões para ampliar o acesso à conectividade entre agricultores familiares da América do Sul e do Caribe, desdobramento de uma reunião realizada pela ConectarAGRO com o Banco Mundial, em outubro de 2025.
Durante o encontro no final do ano passado, a associação apresentou o ICR (Indicador de Conectividade Rural), ferramenta que avalia o nível de conectividade em áreas rurais e remotas do Brasil e contribui para identificar regiões com maior necessidade de investimentos em infraestrutura digital. A iniciativa reforça a importância da articulação entre diferentes setores na ampliação do acesso à conectividade no campo, ao estimular o diálogo entre iniciativa privada, poder público e organismos multilaterais, além de subsidiar discussões e políticas voltadas ao desenvolvimento rural.
O alinhamento entre organismos multilaterais e o setor produtivo reforça a urgência do tema em toda a América Latina e Caribe. Para Diego Arias Carballo, Practice Manager do Banco Mundial, a conectividade rural é decisiva para reduzir desigualdades históricas entre o campo e os centros urbanos.
“Acreditamos que a conectividade rural representa uma grande oportunidade para fechar a lacuna entre o desenvolvimento da agricultura familiar e outros setores, assim como entre a produtividade das áreas rurais e urbanas. Hoje, 71% da população urbana da América Latina e Caribe tem acesso à internet, enquanto nas zonas rurais esse índice é de apenas 37%. Essa diferença faz com que cerca de 77 milhões de pessoas no meio rural ainda estejam desconectadas, o que impacta negativamente educação, emprego e o acesso a serviços públicos e privados”, afirma Diego.
Segundo o executivo, os governos da região já começam a avançar em iniciativas de digitalização da economia e em investimentos em infraestrutura pública digital, com atenção especial ao setor agroalimentar. “A conectividade é fundamental para o desenvolvimento de uma agricultura moderna, mais produtiva e competitiva. Além disso, contribui para aproximar as oportunidades do campo àquelas encontradas nos centros urbanos, atraindo jovens para o setor e impulsionando ganhos de produtividade. Por isso, apoiamos iniciativas que promovam investimentos em conectividade rural, com foco em fortalecer a agricultura familiar”, completa.
O acordo firmado integra um programa internacional voltado à inclusão digital no campo, com metas ambiciosas de impacto até 2030. O Brasil é considerado peça-chave para o alcance desses objetivos, tanto pelo tamanho de sua produção quanto pelos desafios estruturais que ainda enfrenta. Entre eles, limitações logísticas e de infraestrutura, como a baixa capacidade de armazenagem, seguem influenciando diretamente a competitividade do setor e a formação de preços de commodities em escala global.
Diante disso, a conectividade surge como elemento essencial para viabilizar ganhos de eficiência, acesso a mercados, uso de tecnologias no campo e, sobretudo, para a geração e circulação de dados, base indispensável para o avanço da inteligência artificial no agronegócio. Sem conectividade e sem dados, não há como escalar soluções de IA no campo.
“Esse movimento global mostra que a conectividade rural ocupa lugar de destaque nas pautas e passa a ser uma prioridade estratégica para o desenvolvimento agrícola em escala mundial. O Brasil tem muito a contribuir com esse debate, e a ConectarAGRO atua justamente para levar essa visão de forma estruturada e colaborativa. Hoje, falamos cada vez mais sobre inteligência artificial no agro, mas é importante reforçar: sem conectividade e sem dados, não existe IA aplicada de forma eficiente no campo”, afirma Paola Campiello, presidente da ConectarAGRO.
Conectividade rural no centro da agenda climática
A atuação da ConectarAGRO também esteve em evidência durante a COP30, realizada no fim de 2025, em Belém, ao levar para o centro das discussões a importância da conectividade rural para o avanço de práticas mais sustentáveis no agronegócio. No evento, a associação destacou como a ampliação do acesso à internet no campo contribui para o uso mais eficiente de recursos, o monitoramento ambiental em tempo real e a adoção de tecnologias capazes de aumentar a resiliência da produção agrícola diante das mudanças climáticas.
“A agenda climática passa, necessariamente, pela transformação digital do campo. Não existe agricultura sustentável em larga escala sem acesso à conectividade. Foi isso que levamos para a COP30: a mensagem de que tecnologia e sustentabilidade caminham juntas e é necessário um olhar atento para esta temática, pois reverbera em diversos outros assuntos, como por exemplo a segurança alimentar do planeta”, afirma a presidente.
A participação da associação reforça ainda o papel da articulação entre empresas, instituições e diferentes setores na construção de iniciativas voltadas à ampliação da conectividade rural e ao fortalecimento de políticas públicas ligadas à inovação e sustentabilidade no campo.







